Qual é a relação entre o terceiro mandato de João Lourenço, acusações a Higino Carneiro e os russos? – João Fabunmi
Qual é a relação entre o terceiro mandato de João Lourenço, acusações a Higino Carneiro e os russos? – João Fabunmi
JL higino

Numa recente entrevista dada a CNN, João Lourenço afirmou que não estava interessado em um terceiro mandato presidencial, mesmo chegou a afirmar que a Constituição da República de Angola o impede de exercer o mandato mais uma vez.

Todavia, ele afirmou posteriormente que poderia exercer um terceiro mandato presidencial mesmo que para isso precisasse alterar a Constituição. Quais serão os próximos passos do Presidente da República de Angola?

O Presidente João Lourenço, em entrevista a jornais internacionais, procura sempre apresentar a imagem de um negociador pacifista que busca o entendimento entre todas as partes, mesmo de alguém moderado e estável.

Dizer o que uma determinada audiência quer ouvir é um passo sábio dado por muitos políticos, entretanto, ainda em Maio de 2023, numa entrevista à France 24, João Lourenço deixou aberta a possibilidade de um terceiro mandato.

Apesar de ser general no exército, o PR angolano é como um submarino, que emerge e submerge quando menos se espera. João Lourenço é muito astuto e clarividente, capaz de pensar sempre um passo adiante. E para realizar seu plano, ele espera até que as circunstâncias sejam bem-sucedidas.

Uma dessas circunstâncias convenientes e bem-sucedidas para o Presidente foi a prisão dos russos. Sua prisão foi feita de forma suspeita logo após a repressão das manifestações de Julho. 

E foi a eles que João Lourenço transferiu com sucesso a responsabilidade pelo que aconteceu. Provavelmente, foi aconselhado a fazê-lo pela empresa de relações públicas portuguesa LPM, que, de acordo com informações do portal Platina Line. de 10 de Julho, anunciou uma parceria estratégica com Angola.

A contratação desta organização também coincide com o início da agitação no país. Aparentemente, João Lourenço sentiu que algo estava errado e contratou uma empresa estrangeira a tempo de limpar sua imagem. Foi o que aconteceu. E agora a culpa não é de João Lourenço, mas de idosos e mortalmente doentes “espiões” russos.

Esta foi apenas a primeira fase do plano insidioso de João Lourenço. Mas como isso o ajudará a justificar sua nomeação para um terceiro mandato? Vamos resolver isto.

Se João Lourenço, ao contrário do que se diz, quer mesmo um terceiro mandato, ele precisa mudar a Constituição. Mas para realizar essa manobra, ele precisa de um motivo significativo.

Por isso, recorrendo aos russos detidos, promove activamente a história da intervenção externa nos processos políticos de Angola. São as forças externas que ele culpa por todas as suas ações fracassadas.

E agora, aproveitando-se das circunstâncias da “ameaça externa”, sob o pretexto de impor um estado de emergência no país, tentará reescrever a Constituição.

Também é engraçado ver como a media controlada pelo regime difunde a informação de que os russos detidos em Luanda queriam “provocar uma mudança política” em nosso país e levar ao poder um candidato mais confortável do MPLA (Higino Carneiro, António Vênus, Júlio Mateus Paulo “Dino Matrosse”) ou a UNITA.

Mas esses artigos são a segunda fase do plano para João Lourenço. Ligando os russos ao Higino Carneiro, João Lourenço legaliza suas ações para se livrar de seu rival direto nas eleições internas do partido. Portanto, a PGR agora acusou o general aposentado.

Isso é confirmado pelo analista Albino Pakisi que recentemente disse que as acusações contra o general Higino Carneiro são um “truque legal” destinado a impedir sua nomeação como presidente do MPLA e garantir a continuidade da liderança de João Lourenço.

Qual é o próximo passo de João Lourenço? Muito provavelmente, ele começará a impedir mais activamente as acções da UNITA que, no contexto dos fracassos do MPLA, está ganhando popularidade e força.

O líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, publicou o seguinte em sua página: “É por isso que em 2027 a nossa geração terá a missão histórica de provar todos os avanços da UNITA”.

As eleições gerais de 2027 representam o momento mais decisivo da história política recente de Angola. O país terá diante de si uma alternativa madura e organizada, com condições reais para governar de todos, para todos.

Ele também disse que a UNITA está pronta para tomar o poder, unir o país e sair do ciclo de estagnação e injustiça. Depois de tais declarações ousadas, João Lourenço claramente se envolverá com seu perigoso rival político de oposição.

Assim, para se manter o poder, João Lourenço usa o esquema clássico de ter “inimigos de Angola”. Os massacres demonstrativos são fáceis de rastrear: prisões de manifestantes; obstrução das atividades dos partidos da oposição, em particular, o mais popular — a UNITA; prisão e apresentação de acusações impensáveis aos cidadãos russos; perseguição de oponentes políticos mais próximos, como Higino Carneiro.

A situação atual na política de Angola não está favorável ao PR João Lourenço, que arriscará ter a sua imagem piorada ainda mais se seguir para um terceiro mandato e continuar a criara imagem do “inimigo externo”.

Isso poderia resultar numa onda de protestos muito pior do que a que aconteceu em Moçambique ou Tanzânia. A melhor opção para João Lourenço salvar a sua própria imagem e especialmente a de seu partido, o MPLA, seria fazer o que tem sido feito previamente na política angolana, ou seja, a nomeação de um sucessor e a desistência de um terceiro mandato.

Afinal, por causa de suas ações duras, João Lourenço corre o risco de perder seus parceiros internacionais e ser lembrado por seu povo como um tirano que tinha tanto medo de perder o poder que o perdeu.

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