
A República Democrática do Congo (RDC) e o Rwanda assinaram na sexta-feira, em Washington, um acordo histórico mediado pelos Estados Unidos da América, com o objectivo de pôr fim aos conflitos armados que há décadas assolam o leste da RDC.
A cerimónia contou com a presença dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países — Thérèse Kayikwamba Wagner (RDC) e Olivier Nduhungirehe (Rwanda) — e foi testemunhada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
O acordo é o culminar de uma Declaração de Princípios aprovada em Abril, que estabelece compromissos como o respeito pela integridade territorial e o fim das hostilidades na região.
De acordo com Olivier Nduhungirehe, a RDC comprometeu-se a cessar todo o apoio às Forças Democráticas de Libertação do Rwanda (FDLR), grupo armado fundado por elementos ligados ao genocídio de 1994, e a outras milícias associadas.
“Este acordo baseia-se num compromisso irreversível e verificável de pôr fim ao apoio estatal às FDLR”, afirmou o chefe da diplomacia rwandesa.
Por sua vez, Kigali comprometeu-se a levantar as chamadas “medidas defensivas” adotadas ao longo da fronteira, embora o documento não mencione especificamente o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23), amplamente acusado de receber apoio do Rwanda e responsável por recentes ofensivas no leste congolês.
Para os Estados Unidos, além do impacto geopolítico e humanitário, o acordo reveste-se também de importância estratégica.
O entendimento poderá facilitar o acesso de empresas norte-americanas a minerais críticos, como o cobalto — essencial para a produção de baterias, veículos eléctricos e tecnologia de ponta —, num contexto de crescente rivalidade com a China pela influência e recursos em África.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, classificou a assinatura como “um grande dia para o mundo”, enquanto Marco Rubio sublinhou tratar-se de “um momento importante após 30 anos de guerra”.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, saudou o entendimento, considerando-o “um passo importante para a desescalada, a paz e a estabilidade na região dos Grandes Lagos”, apelando ao cumprimento integral dos compromissos assumidos por ambas as partes.