Reino Unido colabora com Angola para repatriar 1,5 mil milhões de dólares em activos desviados
Reino Unido colabora com Angola para repatriar 1,5 mil milhões de dólares em activos desviados
Bharat Joshi

O embaixador do Reino Unido em Angola, Bharat Joshi, revelou esta terça-feira, 18, no Huambo, que o Governo britânico está a trabalhar em estreita colaboração com a Procuradoria-Geral da República de Angola para viabilizar o repatriamento de 1,5 mil milhões de dólares, parte dos quatro mil milhões previstos a serem recuperados em várias jurisdições internacionais e restituídos ao Estado angolano.

De acordo com o diplomata britânico, até ao momento, mais de dois mil milhões de dólares já foram repatriados, no âmbito do programa de recuperação de ativos no exterior, contando com o apoio do Governo do Reino Unido.

Bharat Joshi prestou estas declarações à imprensa após ser recebido em audiência pelo governador da província do Huambo, Pereira Alfredo, no quadro de uma visita de trabalho de 72 horas à região do Planalto Central.

Em 2023, o Serviço Nacional de Recuperação de Ativos (SENRA) publicou um relatório detalhando a recuperação de 19 mil milhões de dólares desde 2019, dos quais sete mil milhões foram repatriados dentro do território angolano.

A lista foi actualizada em 2024 com a apreensão de mais 308 milhões de dólares em ativos, incluindo 83 milhões em numerário depositados no Banco Nacional de Angola.

Apesar dos progressos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou recentemente para um abrandamento no combate à corrupção em Angola, pedindo mais transparência na gestão, venda e utilização das receitas provenientes dos activos recuperados.

O organismo internacional também apontou fragilidades no recurso à recuperação de ativos com base em condenações, bem como dificuldades na restituição de bens apreendidos em outras jurisdições.

Além disso, o FMI considera que a Estratégia Nacional para a Prevenção e Repressão da Corrupção (2024-2027) apresenta lacunas significativas, particularmente na implementação de medidas concretas para fortalecer as instituições envolvidas no combate à corrupção.

Destacam-se como pontos críticos a necessidade de maior fiscalização sobre a declaração de bens de altos titulares de cargos públicos e pessoas politicamente expostas.

Entretanto, há quase nove meses que o SENRA, órgão da PGR responsável pela recuperação de ativos, não atualiza publicamente a lista de bens repatriados, o que levanta questões sobre a transparência do processo e a real destinação dos valores recuperados.

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