
Os técnicos da Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos (CIVICOP) localizaram os restos mortais dos generais Altino Bango Sapalalo “Bock”, Antero Vieira e Assobio da Bala, enterrados numa vala comum nas matas de Tchandji, província do Bié.
As vítimas, todas ligadas à UNITA, foram executadas no contexto dos conflitos políticos que marcaram a história de Angola.
Os trabalhos de exumação duraram três meses e, após a recuperação das ossadas, estas foram transportadas para Luanda, onde exames de ADN confirmaram a identidade dos falecidos.
Em declarações à Televisão Pública de Angola, o porta-voz da CIVICOP, Israel Nambi, afirmou que, nos próximos dias, a comissão procederá à entrega dos restos mortais às famílias dos oficiais generais, num esforço para promover a reconciliação e o resgate da memória histórica das vítimas dos conflitos políticos em Angola.
A morte do general Bock
Existem muitas versões sobre a morte do general Altino Bango Sapalalo “Bock”, que nasceu a 05 de Novembro de 1954, que ocupava o cargo de Chefe do Estado-Maior General da UNITA.
A versão mais recente dá conta que o general foi morto a 25 de Abril de 2000 de forma brutal por três homens, sob ordens directas do seu tio Jonas Savimbi.
De acordo com testemunhas, a execução foi cruel e meticulosamente planejada: um dos executores passou uma corda à volta do seu pescoço, outro prendeu-lhe os braços para impedir qualquer resistência, enquanto o terceiro desferiu um golpe fatal na sua testa com uma moca, fraturando-lhe o crânio.
Sobre a morte Antero Vieira
Natural do Bié, Antero Morais Vieira foi uma figura de destaque na estrutura militar da UNITA. Em 1988, com apenas 29 anos, foi nomeado comandante de brigada por Jonas Savimbi, tornando-se um dos cinco generais mais jovens do movimento, ao lado de figuras como Chilingutila, Ben Ben e Renato Campo.
Nos anos 1990, Antero Vieira já ostentava o título de general e operava no eixo Kwanza-Bié. Naquela altura, era comandante da brigada “Kwame Nkrumah” e subordinava-se diretamente ao general Altino Bango Sapalalo “Bock”.
Juntos, participaram na estratégia de cerco à cidade do Kuito em 1998, uma operação que acabaria por ser interpretada como um acto de insubordinação militar.
Segundo relatos históricos, uma ordem de Jonas Savimbi para suspender o ataque chegou tarde às mãos do comandante “Bock”, quando as tropas já tinham iniciado a ofensiva. A demora na recepção da mensagem levou à destruição de unidades blindadas em minas terrestres e à perda de efectivos, o que resultou na prisão de vários oficiais, incluindo Antero Vieira e Altino Sapalalo “Bock”, acusados de desobediência militar.
Após meses de detenção, Antero Vieira foi libertado e transferido para uma base militar onde se encontravam outros altos oficiais da UNITA, como Dembo, Numa, Gato, Chimuku e Sakala.
Acredita-se que o general Antero terá sido executado no mesmo dia em que morreu o seu chege, general Bock.
A localização e identificação dos seus restos mortais, bem como dos seus companheiros, representam mais um passo no processo de reconciliação nacional e no reconhecimento das vítimas dos conflitos políticos em Angola.