Retrospectiva económica de 2024 em função das decisões tomadas – Juliana Evangelista Ferraz
Retrospectiva económica de 2024 em função das decisões tomadas – Juliana Evangelista Ferraz
Juliana Ferraz

Nos últimos anos, o mundo tem enfrentado uma série de crises que afectaram a vida de milhões de pessoas ao redor do globo. Entre elas, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia se destaca não apenas pela violência que se vive , mas também pelas profundas repercussões que trouxeram para as economias de vários países.

Quando olhamos para esse conflito, não estamos apenas a falar de batalhas geopolíticas, mas das famílias que tiveram as suas vidas destruídas, das crianças que perderam as suas casas, e dos trabalhadores que viram os preços dos alimentos dispararem de um dia para o outro.

A alta do custo de vida, particularmente com o aumento dos preços dos alimentos e da energia, é uma realidade que muitos enfrentam todos os dias.

Por outro lado, em 2024, o mundo também foi marcado pela crescente preocupação com as mudanças climáticas, reflectida na COP 29. Mais do que um simples encontro de líderes globais, essa Conferência foi um ponto de encontro para aqueles que já sentem os impactos mais severos do aquecimento global, como as comunidades no continente africano, que enfrentam secas destrutivas, e as ilhas pequenas que correm o risco de desaparecer do mapa.

Embora os acordos e os compromissos estabelecidos durante a COP 29 sejam fundamentais, as vozes daqueles que mais sofrem com os efeitos do clima extremo exigem uma acção mais imediata e eficaz.

Não se trata apenas de metas distantes de neutralidade de carbono, mas de um chamado urgente para salvar vidas, reduzir danos e garantir que as gerações futuras não sejam deixadas para lidar com as consequências das decisões tomadas actualmente.

Para além das questões políticas e ambientais, também houve o impacto financeiro. O aumento da inflação e das taxas de juros, que já vinha se desenhando desde 2023, gerou sérios problemas para muitas famílias.

Em diversos países, as pessoas viram os seus salários a serem corroídos pela alta nos preços, o que dificultou o acesso a bens e serviços essenciais.

As taxas de juros mais altas, decididas pelos bancos centrais, tornaram os empréstimos mais caros, pressionando quem já enfrentava dificuldades financeiras. Para muitas famílias, essa foi uma luta constante, onde o fim do mês parecia sempre mais distante.

A pandemia da Covid-19 também desempenhou um papel fundamental na crise financeira global. Para tentar aliviar os efeitos nefastos da pandemia, os Bancos Centrais injectaram grandes quantidades de dinheiro na economia, o que, a princípio, evitou uma crise ainda maior, mas acabou por trazer um novo problema: Quanto a inflação, esse desequilíbrio afectou a vida quotidiana das pessoas, principalmente aquelas que já enfrentavam uma situação de vulnerabilidade.

Para muitos, a crise não foi apenas económica, mas uma crise de sobrevivência. Neste cenário, o risco sistémico, ou a ameaça de uma crise global, tornou-se um tópico de preocupação central.

Num mundo cada vez mais globalizado, onde os mercados financeiros estão interligados de forma complexa, uma crise em um país pode rapidamente se espalhar para outros, afectando milhões de vidas.

A falência de grandes bancos ou empresas não é apenas uma questão de números, ela impacta as pessoas que dependem desses empregos, que têm as suas poupanças afectadas e que enfrentam as consequências de um sistema financeiro instável.

Por isso, é urgente pensar em soluções que garantam não só a recuperação das economias, mas também a protecção das pessoas mais vulneráveis, que são as primeiras a sentir os impactos de qualquer crise financeira.

A pandemia de Covid-19 mostrou o quanto as nossas economias estão interligadas. A rapidez com que os mercados financeiros podem reagir a mudanças económicas e políticas exige uma regulação mais cuidadosa e uma maior vigilância das instituições financeiras.

No entanto, não basta apenas adoptar medidas para evitar o colapso de grandes bancos. Precisamos, acima de tudo, garantir que as pessoas, especialmente aquelas mais afectadas pelas crises económicas, possam ter um futuro mais seguro, mais justo e sustentável.

O risco sistémico não é apenas um conceito abstracto, mas uma realidade que afecta as vidas de todos nós.

Com tudo isso, o papel da cooperação internacional nunca foi tão importante, a solidariedade entre países, empresas e cidadãos é fundamental para superar os desafios que o mundo enfrenta.

As crises, embora muitas vezes destrutivas, também podem ser uma oportunidade para repensarmos as prioridades globais e trabalhar juntos para construir um futuro mais inclusivo e sustentável.

Quando falamos sobre risco sistémico e estabilidade financeira, estamos, na verdade, a falar sobre a construção de um sistema que funcione para todos, não apenas para as grandes economias, mas para as pessoas que dependem de uma economia estável para ter uma vida digna.

As decisões tomadas agora moldarão o mundo em que viveremos nas próximas décadas, e é essencial que cada voz seja ouvida, especialmente aquelas que mais precisam de apoio.

*Economista

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