Roberto de Almeida defende maior estudo do legado de António Jacinto
Roberto de Almeida defende maior estudo do legado de António Jacinto
Antonio Jacinto

O político e escritor Roberto de Almeida defendeu, sexta-feira, em Luanda, a necessidade de se efectuar maior publicação e estudo do legado poético de António Jacinto.

A posição foi defendida no final da edição especial do programa “Textualidades: conversas com os leitores” que homenageou o também nacionalista António Jacinto, a propósito do seu centenário natalício, assinalado hoje, dia 28 de Setembro.

Roberto de Almeida disse que a importância das obras de António Jacinto deriva do facto de se debruçar sobre as condições de vida no país, bem como em aspectos que afectam o cidadão nascido em Angola.

“António Jacinto é um escritor caracteristicamente angolano, situa-se como homem angolano, que conhece todas as condições de vida no país”, sublinhou.

Na ocasião, o escritor João Ngola Trindade disse que a comunicação tem um papel muito importante para o estudo das obras do poeta, podendo fazê-lo através da criação de programas onde podem ser analisadas, de modos a despertar interesse.

Apelou às escolas a proporem aos estudantes que façam redacções e interpretações das obras de António Jacinto, quer poética ou narrativa.

Por outro lado, sugeriu que se faça investigação em trabalhos publicados em revistas e jornais como os extintos “Boletim Cultura”, “A Província de Angola” e outros.

A edição especial do “Textualidades: Conversa com os leitores”, no âmbito do programa Conexões Letras e Artes, organizado pelo Memorial Dr. António Agostinho Neto, faz parte das iniciativas do centenário de António Jacinto.
Sobre António Jacinto

Nacionalista, poeta e prosador angolano, António Jacinto do Amaral Martins, de pseudónimo literário “Orlando Távora”, nasceu a 28 de Setembro de 1924.

Destacou-se como poeta e contista da Geração da Mensagem e como membro do Movimento de Novos Intelectuais de Angola (MNIA), cujo lema “Vamos descobrir Angola” galvanizou a sua geração para a recuperação dos valores culturais fundamentais que constituem a matriz da angolanidade.

António Jacinto colaborou com produções suas em diversas publicações nomeadamente “Notícias do Bloqueio”, “Itinerário”, “O Brado Africano” e “Gazeta Lavra e Oficina”.

O autor de “Monangamba”, “Carta de um Contratado”, “O Grande Desafio” dentre outros brilhantes poemas, faleceu em Lisboa a 23 de Junho de 1991.

Foi co-fundador da União dos Escritores Angolanos, ministro da Educação e Cultura entre 1975 e 1978 e Secretário do Conselho Nacional da Cultura.

António Jacinto ganhou o Prémio Lótus, da Associação dos Escritores Afro-Asiáticos e Prémio Nacional de Literatura e o Prémio Noma, atribuído na Feira Internacional do Livro de Frankfurt.

Em 1993, o Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD), instituiu em sua homenagem o “Prémio António Jacinto de Literatura”, dedicado a autores sem obra publicada, como reconhecimento do seu apoio ao brigadismo literário proclamado em 1980 e ao facto de ter doado o valor dos seus prémios a Brigada Jovem de Literatura.

Entre as suas obras destacam-se: ” Poemas (1961)”, “Vovô Bartolomeu (1979)”,”Poemas (edição aumentada 1982)”, “Em Kiluanji do Golungo (1984)”, “Sobreviver em Tarrafal de Santiago (1985), “Prometeu (1987)” e “Fábulas de Sanji (1988)”.

in Angop

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