Sanções contra empresa russa “Alrosa” dificulta Catoca vender diamantes de Angola
Sanções contra empresa russa "Alrosa" dificulta Catoca vender diamantes de Angola
Catoca rough diamond 600

A diamantífera russa “Alrosa” pretende se desfazer – nos próximos tempos – da sua quota parte (cerca de 41%) que detém na Sociedade Mineira de Catoca. Pois, após as sanções internacionais relacionadas com a guerra na Rússia e Ucrânia, Alrosa tornou-se “empresa tóxica” para o crescimento do sector diamantífero angolano.

Segundo o semanário Expansão, citando fontes do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás e do Governo, a Alrosa terá solicitado recentemente uma reunião ao Governo angolano a fim de apresentar sua proposta para a sair de vez da angolana Catoca.

Conforme a fonte primária, apesar do longo histórico de relações com a empresa, as sanções internacionais relacionadas com a guerra na Rússia e Ucrânia colocaram-na num patamar de toxicidade que afecta a comercialização de diamantes de Angola e também as operações da sociedade mineira.

“Há negociações entre a Alrosa e a Endiama, mas nesta altura nenhum acordo foi alcançado”, admite fonte, que antevê uma saída dos russos da sociedade onde detêm uma participação de 41%, igual à da Endiama, e onde são também sócios a Endiama Mining, que ficou com os 18% expropriados no ano passado à Leviev International Holding BV.

As sanções à Rússia provocaram problemas na multinacional do sector dos diamantes, que tem tido dificuldades para movimentar capital para fora de Angola, nomeadamente a transferência de dividendos na ordem dos 185 milhões de dólares, mas também o pagamento de salários em moeda estrangeira a trabalhadores de nacionalidade russa e de fornecedores estrangeiros de equipamentos e serviços.

Até ao início da guerra na Ucrânia, essas transferências eram feitas através da sucursal em Luanda do banco russo VTB, que entretanto está afastado do sistema Swift e, por isso, não pode transaccionar em dólares ou euros.

Estas dificuldades acontecem desde o ano passado e a multinacional tentou outras vias, como o recurso ao VTB na África do Sul, que acabaram por não dar resultados. É neste cenário que a Sociedade Mineira de Catoca enfrenta hoje vários constrangimentos ao nível da negociação.

Em Setembro do ano em curso, o presidente do Conselho de Administração da ENDIAMA, José Ganga Júnior, assegurou que o país espera por maus resultados financeiros no sector dos diamantes este ano, porque não se está a vender a produção como devia.

“Estamos a produzir, não paramos, mas não estamos a vender conforme devíamos. Ainda assim temos que ser resilientes e aguentar, por isso é que este ano os resultados não vão ser muito bons”, afirmou o responsável, sublinhado que as empresas estão com dificuldades neste momento.

MENTIRA DA DIRECÇÃO DA CATOCA

De salientar que, em Março de 2022, o Governo britânico anunciou uma série de sanções que visam mais 59 pessoas e empresas russas e seis bielorrussas, em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia, incluindo a gigante russa de diamantes Alrosa, accionista da mina de Catoca, responsável pela extração de mais de 75% dos diamantes angolanos.

Na altura, uma fonte bem posicionada na direcção da Sociedade Mineira de Catoca garantiu, de boca cheia, que as referidas sanções levantadas contra a Alrosa não afectaria a diamantífera angolana.

A mesma fonte descartou, por isso, a possibilidade de despedimentos como resultado desta situação.
Negou também que as sanções impostas à banca russa, designadamente ao VTB África, banco que opera em Angola, afectem as transações de diamantes.

A Sociedade Mineira de Catoca é constituída pela Endiama (Angola), com 41%, Alrosa (Rússia), com 41% e a Lev Leviev International — LLI (China), com 18%.

Catoca é a quarta maior mina do mundo explorada a céu aberto e a maior empresa no sector diamantífero em Angola, operando desde 1996. Está localizada no território do município de Saurimo, província da Lunda-Sul e possui 639 mil metros quadrados de extensão.

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