“Segura o corpo”, comandante Lito! – Jorge Eurico
“Segura o corpo”, comandante Lito! – Jorge Eurico
Paulo de Almeida

Paulo de Almeida (Lito), no áudio que corre célere nas Redes Sociais, sugere que, neste momento, está a viver a “pão e água” e que nem a reforma de trabalho de uma vida inteira dedicada à Defesa e Segurança do Estado angolano lhe permite viver com dignidade nos dias de hoje.

Reivindica, no referido áudio, uma ocupação profissional e chega mesmo a chantegear as autoridades, alegando que tem muitos contactos a nível das corporações polícias dos Estados-membros da região austral de África.

Bem, o que se pode inferir é que Paulo de Almeida (Lito) está a lamuriar por ter sido proscrito à boa maneira da “Enciclopédia Soviética”, uma ramificação do Sistema que ele ajudou a “construir” em Angola. Paulo de Almeida (Lito) é um dos artífices do Sistema que impera em Angola.

Aqui chegado me apraz aconselhar a Paulo de Almeida (Lito) para que tenha calma, “segure o corpo”, se sente, cruze as pernas, ponha a mão na consciência e pense em dar um outro curso a sua vida, sob pena de vir a ser ainda mais humilhado pelos seus camaradas de armas e de partido. Sugestão? Vá dar aulas e veja se consegue senhor de si, andando com as próprias pernas, sem o amparo das muletas das instituições do Estado. Afinal de contas, é formado em Direito!

A prática de se evitar alguém que cai politicamente em desgraça foi muito comum na URSS de Joseph Stalin. Ela foi bem adoptado e assimilada da melhor forma possível pelo Governo angolano.

Foi assim com Viriato da Cruz (MPLA). Foi assim com Gentil Viana (MPLA). Foi assim com Mário Pinto de Andrade (MPLA). Foi assim com Lúcio Lara (MPLA). Foi assim com Marcolino Moco (MPLA). Foi assim com Ferreira Pinto (MPLA). Foi assim com Fernando Miala (SINSE). Está a ser assim com Boavida Neto (MPLA). Foi assim com Carlos Rocha Dilolwa (MPLA). Foi assim com Luís Neto Kiambata (MPLA). Foi assim com Armando Fandambo Dembo (MPLA). Foi assim com José Maria Ferraz (MPLA). Foi assim com Ernesto Kiteculo (MPLA).

Poderia “porfiar” aqui vários nomes que passaram por isso. E João Lourenço também vai passar por isso quando deixar o Palácio da Cidade Alta (remember José Eduardo dos Santos, que ficou simplesmente sozinho).

O seu predecessor “refugiou-se” em Espanha, alegadamente por razões de saúde. Pessoalmente, estou em pulgas para saber para onde João Lourenço vai “fugir” asssim que terminar o seu mandato.

Eugénio Laborinho, este, quando deixar de ter a proteção do seu “compadre” João Lourenço, não vai ter amigos. Vai certamente recolher-se na Pontinha (Lisboa-Portugal), onde tem um luxuoso apartamento, uma mesa fausta é uma cama com lençóis de seda.

Estou solidário com Paulo de Almeida (Lito). Para curar as suas mágoas, aconselho-o vivamente a continuar a frequentar a sua igreja Metodista (ali por detrás do Hotel Trópico), a dobrar os joelhos, a orar fervorosamente e a implorar pelo perdão do Criador por tudo de mal que ajudou a perpetrar. E que isto sirva de lição aos outros comandantes e dirigentes políticos angolanos.

De uma coisa tenho a certeza: A (re) conciliação entre os angolanos está a ser destruída. Vê-se no desafeto e desinteligências entre os camaradas do MPLA. O que se passa no MPLA reflecte-se no País.

Na verdade, o partido no poder em Angola convoca a minha memória a imagem de Cronos, Deus do Tempo, que, de acordo com a mitologia grega, devorava os próprios filhos.

Seja como for, “segura o corpo”, comandante Lito…

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido