SIC anuncia detenção de segundo jornalista angolano no âmbito de caso de terrorismo envolvendo cidadãos russos
SIC anuncia detenção de segundo jornalista angolano no âmbito de caso de terrorismo envolvendo cidadãos russos
bumba

O Serviço de Investigação Criminal (SIC) anunciou hoje, quinta-feira, 14, em Luanda, a detenção de um segundo jornalista angolano, Alfredo Armando Bumba, de 31 anos, no âmbito do processo que resultou na prisão de dois cidadãos russos acusados de Associação Criminosa, Falsificação de Documentos, Introdução Ilícita de Moeda Estrangeira no País, Terrorismo e Financiamento ao Terrorismo.

O primeiro jornalista detido foi Amor Carlos Tomé, conhecido como “Emiliano”, de 38 anos, profissional da Televisão Pública de Angola. A sua prisão ocorreu a 7 de Agosto do corrente ano, igualmente em Luanda.

De acordo com um comunicado do SIC, enviado à redacção do Imparcial Press, para além de Alfredo Bumba, jornalista do jornal Expansão, foram igualmente detidos dois cidadãos nacionais: Renato Samuel Camiquene Cambungo, de 20 anos, agente de vendas online, e Éder Gaspar da Costa, de 42 anos, professor.

As detenções foram efectuadas no cumprimento de mandados emitidos pela Procuradoria-Geral da República, no âmbito do Ministério Público. Segundo o SIC, existem fortes indícios de que Alfredo Bumba esteve envolvido na produção e disseminação, através das redes sociais, de conteúdos falsos, promoção de manifestações e actos de pilhagem.

O documento, assinado pelo superintendente-chefe Manuel Halaiwa, director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa da Direcção-Geral do SIC, refere que as detenções resultam de “uma investigação aprofundada que detectou a participação directa dos visados nestes factos”.

O SIC adiantou ainda que, cumpridas as formalidades legais, os detidos serão apresentados ao Ministério Público para os devidos trâmites, enquanto prosseguem outras diligências no âmbito do processo.

Desde o início da investigação, já foram detidas oito pessoas, sendo seis angolanos e dois russos, todos acusados pelos mesmos crimes.

Os primeiros detidos, a 7 de Agosto, foram Caetano Agostinho Muhongo Capitão, o jornalista Amor Carlos Tomé “Emiliano” e Oliveira Francisco “Mbuka Tanda”, secretário nacional para a Mobilização da JURA, braço juvenil da UNITA.

Nesse mesmo dia, foram igualmente detidos os cidadãos russos Ígor Racthin e Lev Lakshtanov. Hoje, foi confirmada a detenção dos três últimos suspeitos já referidos.

Ontem, o SIC informou que, relativamente a estes primeiros cinco detidos, o juiz de garantias Kerson Cristóvão, de 38 anos, aplicou a medida de coacção mais gravosa a quatro deles, determinando prisão preventiva para os dois cidadãos russos, bem como para Amor Carlos Tomé “Emiliano” e Oliveira Francisco “Mbuka Tanda”.

O professor Caetano Capitão foi solto e vai responder o processo em liberdade, sob o Termo de Identidade e Residência.

O comunicado acrescenta que, após a detenção dos cidadãos estrangeiros, o Ministério do Interior notificou o Ministério das Relações Exteriores, para que informasse as respectivas missões diplomáticas.

Segundo o SIC, os cidadãos russos seriam operacionais da organização “Africa Politology”, cuja actividade incluiria campanhas de desinformação, manipulação da comunicação social e infiltração em processos políticos, com o objectivo de fomentar a subversão.

A investigação apurou que esta organização não se limita à propaganda digital e à divulgação de notícias falsas, mas também financia manifestações encenadas, corrompe jornalistas locais e molda a narrativa pública a favor dos seus interesses estratégicos.

Os suspeitos terão distribuído avultadas quantias em moeda nacional e estrangeira a jornalistas, políticos, associações profissionais e criadores de conteúdos digitais, como forma de sustentar as suas operações.

Na posse dos detidos foram apreendidos computadores, pen drives, cartões SIM, telemóveis, diversos documentos – alguns codificados – e somas em moeda nacional e estrangeira.

O SIC sublinha que esta operação permitiu frustrar várias manifestações que estariam agendadas para as províncias de Luanda e Benguela. As investigações prosseguem com vista à identificação e detenção de outros envolvidos.

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