
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) deteve, esta semana, em Luanda, um cidadão de 34 anos que, durante vários meses, fez-se passar por procurador-geral adjunto da República, juiz de garantia, técnico do gabinete do Procurador-Geral da República e até sobrinho do Presidente da República, numa operação de extorsão dirigida a altos membros do Executivo e responsáveis de instituições financeiras.
Segundo o director de comunicação institucional do SIC-Geral, Manuel Halaiwa, o suspeito enviava mensagens a governadores, ex-governadores, administradores, presidentes de conselhos de administração de empresas públicas e dirigentes de bancos, alegando que estes estariam a ser alvo de investigações na PGR por crimes como gestão danosa. A falsa informação servia para criar pressão psicológica e extorquir elevadas somas de dinheiro.
O indivíduo utilizava vários números de telefone – 923884828, 923371093 e 923568749 – e apresentava-se como portador de processos em curso, emitindo supostos alertas institucionais.
As autoridades revelam que existem provas de que recebeu valores significativos através de transferências efectuadas por pessoas publicamente expostas.
Contabilista de profissão, o homem usava uma conta bancária pertencente a uma cidadã actualmente em paradeiro desconhecido, facto que o SIC considera parte do esquema fraudulento.
No momento da detenção, ocorrida no município de Cacuaco, foram apreendidos vários documentos e 14 cartões SIM, utilizados para dificultar o rastreio das comunicações.
Manuel Halaiwa confirmou que o SIC já monitorava o suspeito há algum tempo, dada a recorrência de denúncias e indícios consistentes de usurpação de funções públicas.
Durante a sua detenção, o indivíduo voltou a identificar-se como sobrinho do Presidente João Lourenço, tentativa que, segundo o SIC, serviu para intimidar os efectivos, mas que não apresentou qualquer prova.
O SIC prossegue as investigações, admitindo que ainda há dados relevantes por apurar, incluindo o eventual envolvimento de terceiros e o total dos valores arrecadados pelo detido.
As autoridades apelam a instituições públicas e privadas que tenham recebido contactos semelhantes para apresentarem denúncia formal, reforçando que a usurpação de funções e a extorsão constituem crimes punidos pela legislação angolana.