Sobrelotação leva crianças a partilharem camas na pediatria do Hospital Geral do Moxico
Sobrelotação leva crianças a partilharem camas na pediatria do Hospital Geral do Moxico
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O banco de urgência e as salas de internamento dos serviços pediátricos do Hospital Geral do Moxico (HGM) estão sem capacidade de internamento, obrigando a partilha de camas entre doentes com patologias diferentes.

Durante uma ronda efectuada pela Angop na sexta-feira, constatou-se que, na maior unidade de referência da província, uma única cama está a ser partilhada por duas a três crianças, com perfil patológico diferentes, comprometendo o processo de recuperação dos petizes.

Ester Estêvão, mãe de um menino que está internado há oito dias, disse que o fenómeno é de “extrema preocupação”, tendo em conta o reduzido tamanho das camas que os menores partilham.

Na ocasião, defendeu a necessidade do Governo prestar maior atenção na construção de mais unidades para os serviços de pediatria, com o intuito de desafogar o Hospital Geral do Moxico.

Para o Fidel Franck, de 37 anos, o fluxo de pacientes tem causado muitos constrangimentos e sofrimentos aos utentes, face às enchentes que as salas registam.

“Aqui cada paciente tem a sua patologia, e quando são misturadas há risco elevado de cruzamento de doenças, isso nos preocupa”, disse o pai de um menino que está hospitalizado na unidade.

Sugeriu o reaproveitamento das antigas salas do Instituto Médio de Saúde que estão inutilizadas há mais de sete anos, localizadas no recinto do hospital para a melhoria da assistência médica.

Por seu turno, o supervisor geral do HGM, David Donje, confirmou que o quadro de funcionamento dos serviços de pediatria “é complicada”, uma vez que diariamente mais de 200 pacientes dão entrada na unidade, muitos transferidos de outras unidades sanitárias, contribuindo para o aumento do fluxo de doentes.

Informou que actualmente estão internados mais de 100 pacientes na unidade, número acima da capacidade de internamento da secção de pediatria prevista para 57 camas.

Além do reduzido número de camas, disse que a falta de médicos também é outro problema enfrentado no maior Hospital da província.

“Às vezes perdemos a qualidade no atendimento em função do fluxo, temos três a cinco médicos para atender as urgências e o internamento e isso exige triplicar o esforço da equipa”, disse.

Já o médico responsável pelo banco de urgência, David Conde , disse que só nas primeiras horas do dia, mais de 60 crianças com critérios graves deram entrada, sendo que a malária, anemia severa, doenças diarreicas agudas e doenças do foro respiratório são as patologias mais registadas.

Os serviços no banco pediátrico são assegurados por mais de dez médicos e 30 enfermeiros.

in Angop

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