Subinspector da Polícia Nacional de Talatona agredido por colegas
Subinspector da Polícia Nacional de Talatona agredido por colegas
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Um episódio de violência envolvendo membros da Polícia Nacional de Angola veio a público após um vídeo viralizar nas redes sociais, mostrando o subinspector Dino José Guilherme, em estado de embriaguez, sendo agredido e arrastado por colegas de farda, como se de um marginal se tratasse.

O incidente, como ilustra o vídeo em posse do Imparcial Press, ocorreu no distrito urbano de Benfica, município de Talatona e resultou na suspensão de vários envolvidos, incluindo o comandante da esquadra onde a violência foi registrada, em um acto que levantou sérias questões sobre o respeito aos direitos humanos dentro da corporação.

No vídeo, o subinspector, que actuava como chefe de operações do Comando Municipal de Talatona, foi agredido por quatro agentes da Polícia Nacional, que o arrastaram até a esquadra do Benfica, onde foi algemado a uma cama.

Segundo relatos, Dino teria ofendido verbalmente os agentes antes das agressões, o que levou à retaliação.

Assim que o vídeo veio a público, o comandante provincial de Luanda, comissário-chefe Francisco Monteiro Ribas da Silva, tomou medidas imediatas. O comandante da Esquadra do Benfica, intendente Eugénio de Marão Paulo, foi suspenso, assim como o próprio subinspetor Dino José Guilherme.

Além disso, foi instaurado um processo de averiguação para investigar detalhadamente a actuação dos agentes envolvidos e determinar as responsabilidades individuais.

A decisão de suspensão, considerada rara em casos de violência entre membros da corporação, reflecte a seriedade com que o Comando Provincial tratou o episódio. A intenção é que o processo de investigação seja rigoroso e transparente, trazendo à luz os detalhes que culminaram na violência dentro de uma instituição que deve, em princípio, garantir a segurança e o respeito às normas legais.

Agentes da Esquadra do Benfica repudiam o acto

Em uma tentativa de esclarecer os factos e minimizar os danos à imagem da Esquadra do Benfica, os efectivos desta unidade emitiram uma nota de repúdio, em posse do Imparcial Press.

No comunicado, os agentes lamentaram o ocorrido e manifestaram solidariedade ao subinspetor Dino José Guilherme, condenando a atitude violenta dos colegas e reafirmando que o comandante Eugénio de Marão Paulo não estava presente no momento dos factos e não havia autorizado qualquer acção violenta.

A nota também destaca que o comandante sempre orientou seus subordinados a agirem de acordo com a Constituição da República de Angola, com estrito respeito aos direitos humanos.

A agressão ao subinspector, que além de colega de farda era também superior hierárquico dos agentes envolvidos, foi descrita como um acto de desrespeito à cadeia de comando e às normas castrenses da corporação.

No texto, os efetivos sublinham que a repressão deve ser o último recurso e somente utilizada após esgotadas todas as vias de diálogo, postura que teria sido ignorada pelos envolvidos no episódio.

Na nota, os efectivos pedem desculpas públicas ao subinspector agredido, às autoridades superiores da Polícia Nacional, e à sociedade em geral, reconhecendo que o incidente prejudica a reputação da esquadra e da corporação como um todo.

Dino José Guilherme, subinspector da Polícia Nacional e chefe de operações do Comando Municipal de Talatona, é descrito pelos colegas como um oficial respeitado que, apesar do ocorrido, sempre desempenhou suas funções com responsabilidade.

“Sua presença constante nas operações policiais e seu envolvimento direto nas atividades de patrulha e segurança na região tornaram-no uma figura conhecida na circunscrição onde actuava”, pode se ler no informe.

Os relatos indicam que Dino José Guilherme se encontrava em estado de embriaguez no momento do incidente, e que teria ofendido verbalmente os colegas de trabalho, facto que, segundo fontes, levou à retaliação.

No entanto, a forma brutal e pública como a situação foi conduzida é vista por muitos como uma violação de seu direito à dignidade, especialmente por ter sido filmada e exposta nas redes sociais.

O vídeo da agressão provocou uma onda de indignação nas redes sociais, com muitos usuários criticando a conduta dos agentes envolvidos e questionando a cultura de impunidade dentro da Polícia Nacional.

O incidente trouxe à tona questões maiores sobre o uso excessivo de força e a falta de respeito aos direitos humanos por parte de alguns membros da corporação, tanto no tratamento de cidadãos comuns quanto entre os próprios colegas de farda.

A situação gerou um debate sobre a necessidade de reforçar a formação dos policiais em temas como ética profissional, direitos humanos e a importância de manter a disciplina e o respeito dentro da instituição.

Também suscitou reflexões sobre a hierarquia e o tratamento que deve ser dado a superiores, colegas e subordinados dentro de uma estrutura militarizada como a Polícia Nacional.

Com a abertura do processo de investigação, as autoridades esperam identificar com clareza os responsáveis pela agressão e adotar as medidas disciplinares necessárias.

A suspensão dos envolvidos é vista como um primeiro passo para demonstrar que a Polícia Nacional não tolera abusos de poder, especialmente quando esses ocorrem dentro da própria instituição.

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