
Os imperadores romanos, de Augusto a Rómulo, passando por César, eram chefes de quadrilhas expansionistas, colonialistas e escravocratas. Suas mulheres eram sérias, mas a seriedade de pouco lhes servia. Eram tão mal vistas como os bandoleiros seus maridos.
João Lourenço é autor e arauto da maior tragédia que se abateu sobre Angola desde o fim da guerra de agressão estrangeira. Ele chamou-lhe “combate à corrupção” e até lhe deu cobertura com um decreto presidencial que comprava funcionários do Ministério Público e Magistrados Judiciais a dez por cento dos “activos recuperados”.
O Presidente da República, embriagado com o imenso poder que lhe é dado pela Constituição da República, desceu do sapato elegante para a alpergata de pneu ou a chinela chupa cocó e deu uma de chefe de posto. Todos para a cadeia!
Montou atabalhoadamente um banquete de desinformação e mandou os seus sipaios perseguirem e prenderem quem criou riqueza e postos de trabalho. Até ousou julgar e condenar na praça pública a veneranda juíza Presidente do Tribunal de Conta, Exalgina Gamboa. Cadeia! Cadeia!
A mulher do chefe de posto pode ser séria. Mas seu marido destruiu tudo o que foi construído na vigência da democracia representativa e economia de mercado.
Empresários competentes e de sucesso foram presos ou forçados ao exílio. Grupos económicos demolidos, para a quadrilha dos dez por cento se lambuzar com o dinheiro e bens alheios. Em pouco tempo os cofres ficaram vazios. Avançaram com a extorsão e chantagem.
O exemplo mais flagrante e chocante é o empresário Carlos São Vicente. A procuradora Eduarda Rodrigues (ainda não foi jugada!) foi à prisão de Viana para extorqui-lo. Não conseguiu.
A quadrilha avançou com chantagem sobre Maria Eugénia Neto. Tem de aparecer ao lado do chefe de posto para mostrar que está de acordo com a prisão do marido da filha e pai dos netos. Mais repugnante é impossível
Extorsão e chantagem não basta para encher os cofres. É preciso regressar às regras da economia de mercado. A quadrilha dos dez por cento já recebeu alguns avisos. Mas ainda é pouco. A substituição de Joel Leonardo é um bom sinal. Angola precisa muito que a mulher que o substituiu tenha uma seriedade à prova de bala.
O Poder Judicial precisa que a veneranda juíza conselheira Efigénia Clemente se bata sem vacilar pela separação de poderes. Seja capaz de liderar o combate à extinção da quadrilha dos dez por cento e seus malefícios.
Mas se não existirem mudanças de fundo em todos os sectores, vamos ter continuidade em vez das mudanças urgentíssimas e imprescindíveis. Do Palácio da Cidade Alta sopram péssimos ventos.
A veneranda juíza conselheira Efigénia Clemente fez esta declaração na Cimeira do Fórum dos Conselhos Superiores de Justiça da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
“A confiança dos cidadãos na Justiça depende da transparência, da celeridade e da qualidade das decisões judiciais”. Meritíssima! A transparência é incompatível coma quadrilha dos dez por cento.
A qualidade das decisões nos tribunais de todas as instâncias foi destroçada com o Decreto Presidencial n.º 69/21, 16 de Março. Esta “lei celerada” foi declarada inconstitucional. Falta anular todas as decisões tomadas durante a sua vigência.
É urgente passar das palavras aos actos. E muita pedagogia. Um faplinha, mesmo que brasonado na União Soviética com uma licenciatura em História, nunca será imperador nem sério. Mesmo que os seus camaradas da direcção do MPLA o considerem deus. A quadrilha dos dez por cento atirou com Angola para as profundezas do inferno.
O Tribunal da Relação de Luanda acaba de suspender um magistrado judicial porque é suspeito de extorquir Ana da Conceição Ferreira dos Santos, viúva do general Sukissa. A maka de Joaquim Sebastião, antigo director-geral do Instituto de Estradas de Angola (INEA) está quente.
Até hoje, os poderes instituídos, inclusive o judicial, têm ignorado uma recomendação da ONU sobre o processo do empresário Carlos São Vicente, cujo julgamento foi declarado ilegal e a prisão arbitrária.
Sem mudanças de fundo, a presidente do Tribunal Supremo e do Conselho Superior da Magistratura Judicial representa continuidade e não mudanças de fundo.
O Presidente João Lourenço está em Bruxelas participando no Global Gatway Forum. Chamam-lhe o Fórum do Caminho do Gueto. Com a União Europeia ninguém pode esperar mais do que guetos e palavreado. Do filho de enfermeiro, apenas e só conversa que não enche barriga. Divirtam-se.
E avisem a senhora ministra da Saúde que instalar aparelhos de hemodiálise em cada esquina não é boa ideia. O caminho certo é instalar postos e centros em cada bairro. Através da informação e educação para a saúde, ninguém ou poucos precisam de hemodiálise.
Os nazis de Telavive aceitaram um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Intervalo no genocídio sobre os palestinos. Manda quem pode. A Casa dos Brancos foi mandante e arsenal dos genocidas. Tomem nota. O estado terrorista mais perigoso do mundo (EUA) financiou os nazis de Telavive com 34 mil milhões de dólares entre Outubro de 2023 e 7 de Outubro de 2025.
Este número tem a ver com dinheiro vivo e material de guerra, 310 aviões dos quais 39 F35, e 120 helicópteros. Mais milhares de bombas e mísseis. Sem o arsenal de Washington os nazis de Telavive não desencadeavam o genocídio nem os ataques aos países vizinhos.
Os donos do dinheiro e do arsenal autorizaram o cessar-fogo. Ainda não é a paz na região. Porque ela só chega quando existir o Estado da Palestina. E isso é impossível com nazis no governo de Telavive, o chefe da Internacional Fascista, Donald Trump, e o terrorista Tony Blair.
A administração da empresa Edições Novembro não pagou nem me disse como e quando vai pagar, os salários e subsídios que me deve, há dez anos. Drumond Jaime (presidente do Conselho de Administração), Cândido Bessa, António Samuel Eduardo, Joaquim Pedro Zua Quicuca, Eunice Carla Teixeira Moreno (administradores executivos), Guilhermino Alberto e Victória Quintas (administradores não executivos) fazem figura de caloteiros. A tutela é conivente com o calote e o esbulho. O Titular do Poder Executivo igualmente.
Drumond Jaime, Cândido Bessa, Guilhermino Alberto e Vitória Quintas são também jornalistas. Essa condição obriga que em cada fracção de segundo das suas vidas, sejam capazes de viver entre as fronteiras da honra e da dignidade. Não há ordem superior que se sobreponha à honra e à dignidade dos jornalistas.
*Jornalista