
O município de Viana, em Luanda, enfrenta um surto de sarampo que já provocou três mortes e 280 casos confirmados entre janeiro e agosto deste ano, informou a directora municipal da Saúde, Rosa Manuel.
Segundo a responsável, a doença começou a circular no mesmo período em que o município combatia o pico da cólera, evidenciando a sobreposição de crises sanitárias num território marcado por fraca cobertura vacinal, más condições de saneamento básico e insuficiência de recursos médicos.
Apesar de estarem em curso campanhas de vacinação, feiras de saúde e ações de sensibilização comunitária, especialistas alertam que estas medidas têm sido sobretudo reactivas, quando o sarampo é uma doença prevenível por vacina e cuja circulação demonstra falhas na imunização em massa da população infantil.
O sarampo é altamente contagioso: uma pessoa infetada pode transmitir o vírus a 90% das pessoas não vacinadas com quem contacta. As complicações vão de pneumonia e convulsões a encefalite, podendo ser fatais em crianças desnutridas ou sem acesso a cuidados médicos atempados.
As autoridades municipais afirmam que os casos estão a ser acompanhados nas oito unidades de saúde locais, em paralelo com consultas móveis e campanhas comunitárias.
No entanto, a procura por cuidados médicos em Viana continua a centrar-se em doenças como malária, hipertensão, infeções respiratórias e diarreicas, que sobrecarregam ainda mais um sistema já debilitado.
Embora a administração municipal assegure que está a intensificar a vacinação, a fumigação e a distribuição de mosquiteiros, a persistência de surtos epidémicos em Luanda expõe a incapacidade estrutural de resposta preventiva, agravada por deficiências na rede de saneamento e no acesso regular a vacinas e medicamentos.
O apelo final da directora municipal da Saúde, dirigido sobretudo a grávidas e mães com crianças pequenas, para que “coloquem a prevenção em primeiro lugar”, contrasta com o que especialistas consideram ser o verdadeiro desafio: um Estado incapaz de garantir de forma sistemática a prevenção e a protecção sanitária das populações mais vulneráveis.