TAAG transfere 600 trabalhadores para multinacional Menzies Aviation
TAAG transfere 600 trabalhadores para multinacional Menzies Aviation
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Está em fase de conclusão o processo que prevê a transferência de cerca de 600 colaboradores da Direcção de Operações de Terra da TAAG – Linhas Aéreas de Angola, S.A. para a gestão da multinacional Menzies Aviation, empresa escocesa líder mundial em serviços de assistência em escala.

Em Angola, a Menzies actua através da Menzies Aviation Angola, uma joint-venture firmada em Setembro de 2025 entre a TAAG, a Menzies Aviation e a Sociedade Gestora de Aeroportos (SGA), destinada a garantir a operação de handling no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro e no novo Aeroporto Dr. António Agostinho Neto.

O ministro dos Transportes, Ricardo Abreu, confirmou publicamente esta transferência durante o evento Conversas 100 Makas, realizado a 1 de Dezembro de 2025, numa entrevista conduzida pelo economista e jornalista Carlos Rosado de Carvalho. A gravação está disponível no YouTube, onde a confirmação surge por volta da linha de tempo 1:29:00.

O processo é mediado pelo escritório português Melo Alves & Associados, responsável pela assessoria jurídica no âmbito da negociação colectiva e da transição laboral.

Fontes internas do Imparcial Press descrevem o processo como lesivo para os colaboradores, que perderão vínculo directo com a companhia nacional e passarão para a esfera da Menzies.

O até então director de Operações de Terra, Hélio Soma, foi exonerado por se recusar a liderar a transição. Até ao momento, não se sabe se Soma terá aceite ou não a proposta de ser transferido para a Menzies, nem em que termos.

Para o seu lugar foi nomeado Alcínio Cassange, jovem quadro admitido em 2019 como técnico de check-in e que, em apenas sete anos, ascendeu rapidamente na hierarquia.

Cassange é apontado como beneficiário de promoções aceleradas devido à sua ligação ao MPLA (militante desde 2011) e à proximidade com dirigentes da companhia. Entre 2022 e 2023, foi promovido a Chefe de Escala para várias estações africanas, cargo que, segundo relatos, servia mais para garantir viagens e ajudas de custo do que para funções operacionais efectivas.

Apesar da confirmação ministerial, a TAAG mantém silêncio público sobre os termos da transferência. Internamente, o processo é conduzido por Neide Teixeira, administradora executiva para o Jurídico e Capital Humano, apontada como a principal responsável pela operação, com apoio do presidente da Comissão Executiva (PCE), Nelson Oliveira, e de Iuri Neto, Administrador Executivo para o Pelouro das Operações.

A operação, que envolve centenas de trabalhadores, expõe a fragilidade da companhia aérea nacional e a crescente dependência de multinacionais estrangeiras para funções estratégicas.

Mais do que uma simples reestruturação, este movimento revela a intersecção entre negócios, política e gestão pública, onde decisões de impacto laboral profundo são tomadas em gabinetes e mediadas por escritórios de advocacia estrangeiros, sem transparência para os trabalhadores afectados.

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