
A pretensão de o camarada João Lourenço continuar a ser presidente do Partido está a trazer muitos estragos ao MPLA. O Chefe alterou os Estatutos do MPLA num Congresso Extraordinário, que não tem competência para alterar os Estatutos, Art.° 78.°, conjugado com o art.° 75.°, b).
Foi nesse Congresso Ordinário, que se alterou o art.° 120.° sobre a designação de Candidato a Presidente da República, que dizia que o presidente do Partido era o candidato a Presidente da República. Faço recordar os camaradas que foi à margem do Congresso Extraordinário que o presidente João Lourenço afastou do Bureau Político alguns dos seus membros.
Por causa da sua pretensão de continuar no poder, no seio do MPLA, o camarada João Lourenço, Presidente do Partido, mesmo tendo dito à TPA “O MPLA é um Partido democrático”, disse que não dava nem mais tarde daria a “bênção” a quem quisesse se candidatar a Presidente do MPLA.
Nessa entrevista, humilhou o camarada Higino Carneiro. E até pôs em dúvida o exercício brilhante da sua carreira militar. Estou a mentir?
O camarada João Lourenço passou a ter muitos problemas com as algumas figuras que foram, injustamente, afastadas. Quando isso ocorre gera-se um conflito que passa a ser não só entre a figura injustiçada e o camarada João Lourenço, mas também entre os familiares e seguidores do injustiçado e ele.
O camarada presidente do Partido, no dia 13 de Dezembro de 2025, em comício de massas, no Kilamba, insultou de forma abstracta alguns camaradas da terceira idade, considerando-os, “cansados”.
Assim, Higino Carneiro, Fernando da Piedade Dias dos Santos e outros foram implicitamente atingidos por essa desvalorização em função da idade. Contudo, a sua vontade de continuar a dirigir o MPLA, com a idade que tem é incoerente e inaceitável.
A ser verdade o que se diz sobre o 8.° Congresso da OMA, a situação é preocupante. É reveladora de autocracia, quando devia imperar a democracia.
Pela razões apostadas e por outro motivos, muitos camaradas estão descontentes, com presidente do Partido, conquanto o DIP tente salvar a sua imagem, que cada vez mais tem estado desgastada.
Camarada João Lourenço já não brilha. Já não convence. Não sabemos como é que, numa hipotética situação de bicefalia terá autoridade moral para dar orientações ao Presidente da República.
Por causa do desejo de ser presidente do Partido — justificando, assim, a alteração do art.° 120.° —, o camarada João Lourenço ignora a congruência ao prender que, eventualmente, se crie uma situação de bicefalia no seio do MPLA. Ou seja, duas fontes de mando — uma proveniente do Presidente da República e outra dele mesmo, enquanto presidente do Partido.
O próximo Presidente da República, sendo do MPLA, poderá receber uma convocatória com o seguinte conteúdo: “Senhor Presidente da República, convoco-o para uma reunião, na Sede Nacional do MPLA.
O Presidente do MPLA,
João Manuel Gonçalves Lourenço”
Em relação à incongruência acompanham o camarada João Lourenço alguns camaradas que, em 2017, negaram ao então presidente do Partido, o camarada José Eduardo dos Santos a continuação na liderança do Partido.
Sei que, infelizmente, alguns não se importam com a incoerência, visto que são capazes de, num primeiro momento, negar uma determinada decisão, mas, posteriormente, aplaudi-la freneticamente. Sinceramente!.. Dá pena!
Aproxima-se a realização do IX Congresso Ordinário. Durante os próximos meses, muitas vozes silenciadas ou caladas por opção estratégica vão falar alto. Noutros casos, vão gritar de forma ensurdecedora ao ouvido do camarada presidente do Partido.
Por causa da insistência de o camarada João Lourenço continuar na “liderança” do MPLA, o Partido terá resultados mais baixos. Porventura, venha ser derrotado pelos seu próprios militantes, amigos e simpatizantes, em algumas províncias, como ocorreu nas províncias de Cabinda, Luanda e Zaire, nas últimas eleições gerais.
Em relação ao camarada João Lourenço, há muitas fontes de desconhecimento, nomeadamente, de parte significativa dos cidadãos; de muitos activistas; jornalistas; sindicalistas; muitas altas figuras da religião; e uma parte considerável de membros do MPLA.
Entretanto, apesar disso, o camarada João Lourenço prefere sobrepor os seus interesses aos interesse do Partido — ganhar as eleições gerais por um resultado que permita obter mais acentos parlamentares e, por conseguinte, governar com mais estabilidade.
Assim, não! João Lourenço, já não na Presidência da República, nem na liderança do MPLA.
Cidadãos e cidadãs angolanos, sigam-me! Temos a árdua tarefa de tornar Angola melhor! Meus camaradas, sigam-me! Todos temos o DEVER de tornar o MPLA num Partido melhor.
É importante que cada um se conscientize que os líderes do PARTIDO passarão, mas o MPLA permanecerá. Não há nenhum militante que esteja acima do nosso glorioso MPLA, nem João Lourenço, nem os demais que o sucederão.
Viva Angola!
Viva o MPLA!
*Pensador, Jurista, Escritor, e Político (formado na Escola Político-Militar “Comandante Jika”)