
A empresária e activista social Tchizé dos Santos reagiu, esta terça-feira, à libertação do humorista Cesalty Paulo, mais conhecido artisticamente por Tia Bolinha, sob termo de identidade e residência, tecendo duras críticas ao comunicado público divulgado pelo artista e pela esposa após a sua saída das celas da Polícia Nacional.
Num texto amplamente partilhado nas redes sociais, Tchizé dos Santos classificou o caso como “mais um desfecho triste e previsível” em situações envolvendo denúncias de abuso de menores ou violência contra a mulher, lamentando que, na maior parte das vezes, as esposas acabem por “ficar do lado dos maridos, enquanto as queixosas são afastadas e desacreditadas”.
A activista repudiou a circulação de vídeos e imagens falsas que tentam sexualizar a jovem de 19 anos que apresentou a queixa, condenando a tentativa de transformar a exposição da vítima num meio de justificar ou minimizar a gravidade das acusações.
“Ser ‘avantajada’ ou sensual não é um pedido para ser abusada”, sublinhou.
Tchizé lamentou ainda que o comunicado do casal não tenha expressado qualquer preocupação com o bem-estar ou a proteção da jovem, que, segundo a acusação, terá sido abusada desde os 16 anos.
“Mais valia terem ficado calados”, disse, questionando se a postura seria a mesma caso a vítima fosse filha biológica do casal.
Sem antecipar juízos sobre a culpabilidade do humorista, lembrando que a Constituição garante a presunção de inocência, Tchizé dos Santos insistiu que o foco deve estar na protecção da jovem denunciante, que se encontra em situação de vulnerabilidade.
“Quem vai lutar pelos interesses da jovem? Os pais já mostraram claramente que não o farão”, afirmou.
A empresária apelou às instituições do Estado, organizações da sociedade civil e profissionais especializados para que acompanhem o caso com rigor e sensibilidade, de modo a evitar que se consolide uma imagem de impunidade em situações de alegado abuso contra adolescentes e jovens mulheres.
O processo-crime contra Cesalty Paulo continua em investigação, apesar da sua libertação mediante TIR, devendo o humorista apresentar-se mensalmente às autoridades enquanto decorrem os trâmites legais.