Tempestade na Polícia Nacional: Comandante-Geral prepara “limpeza” na Direcção de Logística
Tempestade na Polícia Nacional: Comandante-Geral prepara "limpeza" na Direcção de Logística
damiao

Ventos de mudança, ou melhor, de turbulência, sopram forte no Comando Geral da Polícia Nacional. O recém-nomeado comandante-geral, comissário-geral Francisco Monteiro Ribas da Silva, prepara uma autêntica reestruturação relâmpago nos bastidores da instituição, com mexidas iminentes no estratégico sector da Logística, uma das áreas mais sensíveis – e milionárias – da corporação.

Fontes bem posicionadas dentro da estrutura policial confirmaram que o director da Logística, comissário Frederico Gabriel Damião, e o seu adjunto, estão com os dias contados nos seus cargos.

As substituições estariam já formalmente propostas e aguardam apenas o aval do Presidente da República, João Lourenço – única entidade com competência para nomear ou exonerar oficiais superiores da Polícia.

Embora oficialmente ainda não haja justificações públicas para os afastamentos, vozes dentro da corporação garantem que a decisão nada tem a ver com falta de competência, lealdade ou experiência, mas sim com interesses supostamente particulares do novo comandante-geral, que pretende cercar-se de homens “da sua confiança” em áreas-chave.

A Direcção de Logística é tradicionalmente uma zona de grande influência e movimentação financeira, onde questões como sobrefacturação, contratos milionários de fornecimento de bens e serviços, e recursos materiais são rotina.

A mesma fonte revela que Ribas quer garantir controlo total sobre esta área, com aliados de longa data, que o acompanharam durante o seu tempo à frente do Comando Provincial da Polícia.

Curiosamente, há apenas sete meses, o ainda director da Logística, comissário Frederico Gabriel Damião, admitia publicamente que a sua direcção enfrentava “constrangimentos” no assentamento logístico dos efectivos, apelando por melhorias urgentes.

Durante uma reunião técnica realizada em Janeiro de 2025, no Instituto Superior de Ciências Policiais e Criminais (ISCPC), Damião alertava para a importância de um bom especialista de logística em tempos de crise institucional.

Na ocasião, prometia reestruturações internas, melhoria na gestão de alimentação, fardamento, munições, utensílios, calçados e higiene dos efectivos. Também mencionava o programa agropecuário da Polícia como forma de garantir auto-suficiência alimentar.

Agora, tudo indica que essas promessas serão interrompidas – ou entregues a novos rostos, com novas agendas.

Nos corredores da Polícia, fala-se abertamente que estas movimentações fazem parte de uma “purga silenciosa”, promovida por Ribas da Silva para consolidar o seu poder, colocando “homens de confiança” em cargos com acesso directo a recursos e contratos.

A possível substituição de Damião poderá abrir uma nova frente de conflito interno, uma vez que quadros seniores da Polícia consideram a decisão precipitada e politicamente motivada.

Há também quem alerte para a necessidade de se preservar alguma continuidade técnica em áreas sensíveis, para evitar colapsos logísticos num momento em que o país enfrenta múltiplas tensões sociais.

Enquanto isso, os olhos estão voltados para o Palácio Presidencial, de onde se aguarda a decisão final de João Lourenço: aprovará ou não a “faxina” proposta por Ribas da Silva?

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