Tempo de qualidade – Nvunda Tonet
Tempo de qualidade – Nvunda Tonet
Nvunda Tonet

As relações afectivas são movidas por afecto, companheirismo e tempo de qualidade. Quando as pessoas se conhecem e durante os primeiros meses de namoro, o encantamento e fervor afectivo são intensos.

Querem estar juntos com regularidade, trocar mensagens, conversar sobre diversos temas, contar as fofocas do dia-a-dia e até fazer planos para o futuro.

Com o passar do tempo e as preocupações pessoais e profissionais, a frequência dos encontros, das saídas e até os momentos de intimidade diminuem. Não significa que o amor deixou de existir.

As relações afectivas são movidas por ciclos. Temos de saber gerir os ciclos e reinventar a cada momento. Tal como afirma a terapeuta Louise Hay “o primeiro relacionamento que devemos melhorar é o que temos connosco”.

Isso implica necessariamente avaliar regularmente as nossas emoções. Compreender o que sentimos, identificar as necessidades emocionais e expressar aquilo que sentimos.

A monotonia emocional que se caracteriza pela apatia e falta de interesse pelas actividades da relação pode ser quebrada com mudanças paulatinas na rotina, conversas de avaliação, escuta e empatia.

A monotonia emocional afecta expressivamente a motivação e o interesse pela relação. É fundamental analisar os factores que conduziram à sensação de vazio e afastamento paulatino.

Durante uma sessão de terapia conjugal, a utente expressou os seus sentimentos face ao relacionamento: “nós temos muita coisa em comum. Gostamos de jogar boliche, ouvir as músicas da Vanesa Martín, ler os romances da Scholastique Mukasonga, ver os filmes de Denzel Washington … mas ultimamente não sei o que é ir ao cinema, ver um filme agarradinho, jantar no restaurante, chupar gelado, fazer um piquenique ou ver o pôr do-sol juntos … actualmente é casa – trabalho – casa e lista de compras por fazer. Posso dizer que não temos tido tempo para nós. Isso preocupa me bastante. Já falei várias vezes com o meu parceiro sobre isso e como isso me incomoda, mas parece que é cada vez mais difícil …

As reclamações da utente espelham o ciclo encravado do relacionamento: ausência de tempo de qualidade, desconexão emocional e física e diminuição da vida sexual.

Um relacionamento saudável requer investimento de ambos. Para ter tempo de qualidade, é fundamental: reservar tempo diário para a relação (a dinâmica laboral ocupa uma parte significativa do dia: tirar tempo para enviar mensagens afectivas durante o dia, almoçar ao meio da semana, assistir a um programa ou fazer uma caminhada matinal).

Outra proposta passa pela espontaneidade: surpreender a pessoa amada com um convite inesperado ou presente (muitas vezes, esperamos apenas por ocasiões especiais como aniversário para oferecer algum presente – quebrar essa rotina alimenta a conexão).

Como podemos ler, a utente referiu que a situação se arrasta por algum tempo e manifestou o seu desagrado: a proposição passa por resolver conflitos.

O parceiro, ao ouvir as reclamações, mais do que entender como um desabafo, seria crucial rever a rotina relacional e promover tempo de qualidade com a mudança de atitude.

Por último: dar atenção ao outro: dedicar especial atenção à forma como o parceiro (a) fala e exprime as suas emoções, o tom de voz, a postura e o olhar.

Algumas pessoas são mais expressivas que outras: precisam de abraços, beijos e carinho com frequência ou até mensagens românticas como demonstração de amor.

As formas de demonstração de afecto também variam e têm influências culturais. Por exemplo: um parceiro que se preocupa com a família da namorada, acompanha nos óbitos e casamentos, ajuda a pagar as propinas, compra os mimos da parceira – está a usar outras formas de demonstrar o afecto e preocupação. Alguns homens têm dificuldade em usar a palavra “amo-te”.

Em síntese, podemos sustentar que, para promover tempo de qualidade na relação, é importante: partilhar as tarefas e objectivos, promover actividades ao longo da semana, palavras de afirmação, dar presentes, toque físico e comprometimento.

*Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta Conjugal

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