
A tensão política que se vive no Palácio da Cidade Alta continua elevada e começa a gerar inquietação entre analistas e assessores ligados à Casa Militar do Presidente da República e ao Gabinete do Chefe de Estado, segundo relataram fontes do Imparcial Press.
Segundo estas fontes, o Presidente da República, João Lourenço, tem protagonizado, nos últimos tempos, intervenções públicas e declarações improvisadas marcadas por um tom considerado agressivo, pejorativo e pouco conciliador, o que estará a provocar desconforto interno e sinais visíveis de desgaste político.
Alguns assessores admitem, em privado, com aproximação do termino do último mandato, em Setembro de 2027, que o clima no Palácio é de grande pressão e nervosismo, havendo mesmo relatos de que o Presidente enfrenta dificuldades de descanso há vários dias.
Fontes do Imparcial Press alertam que este estilo de comunicação tem reforçado, junto da opinião pública, a percepção de perseguição política contra vozes divergentes, contribuindo para o enfraquecimento da confiança no MPLA, tanto entre eleitores como dentro do próprio partido.
Outrossim, os parlamentares referem que os deputados do Grupo Parlamentar do MPLA estão cada vez mais agastados com o que descrevem como “pressão excessiva” vinda do Palácio, apontando como exemplo a aprovação de diplomas polémicos, como a Proposta de Lei para aprovação do novo Código de Disciplina Militar, que afecta militares na reforma, aprovada num ambiente de forte constrangimento interno.
No plano governativo, um analista considerado próximo do regime reconhece sinais de desnorte em vários sectores-chave, sublinhando a ausência de investimentos estruturantes com impacto visível nas áreas da saúde, educação e infra-estruturas.
“Não há, neste momento, um projecto âncora que mobilize o país até 2027”, afirmou, acrescentando que muitas iniciativas em curso são vistas como paliativos de natureza eleitoral.
O mesmo analista relativiza o entusiasmo oficial em torno do Corredor do Lobito, classificando-o como um “elefante branco” excessivamente dependente da dinâmica económica dos países vizinhos, num contexto em que a economia angolana continua fragilizada.
No seio do MPLA, cresce também o desconforto com a condução política do Executivo. Conforme fontes do Imparcial Press, o actual presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, enfrenta dificuldades em harmonizar relações com o Grupo Parlamentar do MPLA, num ambiente que se agravou após a saída de Carolina Cerqueira.
Outros focos de insatisfação incluem a imposição de uma candidatura única na Organização da Mulher Angolana (OMA), decisão que, de acordo com militantes, deixou marcas profundas de descontentamento na estrutura feminina do partido.
À medida que o tempo avança, cresce nos bastidores a discussão sobre a necessidade de uma nova liderança no MPLA. Analistas defendem uma direcção mais democrática, capaz de trabalhar em equipa, recuperar a confiança dos militantes e reencontrar a mística eleitoral de outros tempos.
Entre funcionários seniores da Presidência, segundo apurou o Imparcial Press, começa a circular com insistência o nome do general Higino Carneiro como uma figura com perfil para liderar uma eventual recomposição interna.
O general, descrito como “todo-terreno”, é apontado como um quadro experiente, com formação militar superior na Rússia, capacidade diplomática e visão estratégica em matérias de macroeconomia.
Para estes sectores, Higino Carneiro reuniria condições para unir diferentes sensibilidades do MPLA – jovens, mulheres e quadros históricos e travar o que consideram ser uma erosão progressiva da dignidade e do prestígio do partido, num contexto marcado por sucessivas “caças às bruxas” internas.