
A artista angolana Titica, uma das figuras mais emblemáticas do kuduro contemporâneo e referência na luta pelos direitos das pessoas trans em Angola, denunciou publicamente estar a ser alvo de ataques transfóbicos e difamação nas redes sociais.
Numa carta aberta publicada nas redes sociais, a cantora denuncia o que descreve como ataques coordenados que, segundo ela, têm como objetivo minar a sua imagem pública e silenciar a sua identidade enquanto mulher trans.
“Escrevo esta carta com o coração pesado, mas também com a cabeça erguida”, afirma a artista, cujo nome de nascimento é Tecas Miguel Garcia.
“Esses atos não são apenas uma tentativa de manchar a minha imagem pública, mas também um reflexo da transfobia estrutural que tantas mulheres trans enfrentam diariamente.”
Titica, que construiu uma carreira sólida dentro e fora de Angola, levando o kuduro a palcos internacionais, considera os ataques virtuais um sintoma de uma cultura que ainda marginaliza identidades de género dissidentes.
“Sou Titica. Sou mulher. Sou trans. E exijo respeito”, reforça, numa mensagem clara de resistência e afirmação.
A artista afirma que conteúdos ofensivos têm sido amplamente partilhados online, muitos deles descontextualizados ou fabricados, colocando em causa a sua integridade pessoal e artística.
Mais do que um caso isolado, o episódio expõe o ambiente de intolerância que persiste, mesmo após avanços legais como a descriminalização das relações entre pessoas do mesmo sexo no país.
Com uma trajetória que desafia estigmas, Titica tornou-se um símbolo de visibilidade para a comunidade LGBTQIA+ em Angola. Foi a primeira mulher trans a conquistar espaço no mainstream musical angolano, e tem usado sua plataforma para defender os direitos humanos, a inclusão e o respeito à diversidade.
Na carta, apela ao público para que não se cale diante da violência digital e da transfobia. “Denunciem. Reflitam. E, acima de tudo, escolham o lado certo da história: o lado da empatia, da justiça e do respeito.”
A denúncia pública de Titica reacende o debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais e a necessidade de mecanismos eficazes para combater discursos de ódio. Ao mesmo tempo, expõe as fragilidades institucionais no tratamento de crimes virtuais motivados por preconceito.
Apesar da ofensiva, a cantora garante que a sua arte e a sua voz continuarão firmes. “Cada passo meu será uma afirmação de resistência, orgulho e amor próprio.”