
Um dos trabalhadores chave afecto à direcção da empresa de construção civil “Eco Imobiliária”, que há anos vem sendo denunciada como invasora de um terreno de cinco hectares onde está a construir o condomínio “Luz Lar”, revelou ao Imparcial Press que, alguns funcionários ligados à direcção da referida construtora terão, recentemente, abandonado o escritório, tendo como uma das causas as ilegalidades que a Eco Imobiliária estará a praticar no terreno usurpado.
De acordo com a fonte do Imparcial Press, preferindo anonimato, o último “relatório da Inspecção Judicial efectuado no imóvel, exposto na Conclusão do Tribunal de Comarca de Belas, 4ª Secção da Sala do Cível e Administrativo, sob n.º 97/2021-A, revela provas inequívocas de invasão do terreno por parte de Djamila Laborinho e pares, sendo que as obras estão a ser construídas ilegalmente no terreno usurpado ao senhor João de Sousa”, disse a fonte, reconhecendo “ser este um dos factores que levou a alguns trabalhadores a se desvincular do projecto “Luz Lar”.
Para além de trabalhadores de base que estão a abandonar a obra por falta de pagamentos, o engenheiro sénior do projecto habitacional – tido como uma das peças fundamental -, abandonou o projecto, e, consequentemente, a falta de suposta seriedade da “Eco Imobiliária” forçou, igualmente, a directora comercial e a responsável para área jurídica a demitirem-se, confirmou a nossa fonte, apelando, por outro lado, aos candidatos às residências do futuro condomínio “Luz Lar” a exigirem da “Eco Imobiliária” a documentação legal do terreno, ou, se dirigirem ao Governo Provincial de Luanda (GPL) para aferir.
“Estou acompanhar este processo desde o início, mas não sabia realmente de quem era o espaço até antes de ter acesso ao relatório do tribunal que reconhece ter havido usurpação pela filha do ministro do Interior. O caricato é que nem o juiz consegue embargar a obra num terreno em litígio, nem o GPL, nem administração de Talatona, uma vez que nem tem licença de construção. Os candidatos a estas casas devem criar diligências para aferir tudo, para não chorarem depois”, alertou a fonte que conhece a direcção da “Eco Imobiliária”, revelando que a empresa pela qual trabalha tem um outro processo semelhante a decorrer em tribunal, também por invasão de terreno.
Ainda de acordo com a mesma fonte, indo mais longe, suspeita que a documentação apresentada em tribunal por parte de Djamila Gracinda Moura Laborinho, sobre o imóvel localizado no bairro Camama, distrito urbano com o mesmo nome, município de Talatona, em Luanda, podem ter sido falsificados, uma vez que não consta o número de folhas de registo nos livros das instituições onde o terreno foi cadastrado.
“Num país onde o sistema de justiça funciona com base na lei, estas entidades que invadiram o terreno do senhor João de Sousa deveriam ser alvo de um processo investigativo por falsificação de documentos, porque os tribunais, o GPL, a administração de Talatona, o IPGUL e os próprios invasores sabem, de sã consciência, a quem pertence o terreno”, concluiu a fonte.

O Imparcial Press apurou, por outro lado, que o terreno pertencente cidadão João de Sousa, era, inicialmente, sete hectares, limítrofe com o terreno de Djamila Laborinho, sendo que, por razões de interesse de seu pai, Eugénio Laborinho, este solicitou negocialmente a João de Sousa que o cedesse dois hectares para anexar ao espaço de sua filha Djamila.
Negócio que ficou firmado entre as partes, mas, a princípio, sem ter pago qualquer valor monetário, ficando apenas 5 hectares para o agora lesado.
Para a infelicidade de João de Sousa, avança uma outra fonte próxima a Lutuima de Almeida, o principal protagonista da invasão do terreno, oficial da Polícia Nacional e tido como suposto oficial de campo do ministro do Interior que, em Junho de 2021, invadiu o imóvel com suporte de agentes da Polícia Nacional fortemente armados, para anexar todos sete hectares à parcela de Djamila, sem antes ter pago os dois hectares que, inicialmente, Eugénio Laborinho havia solicitado, compromisso que nunca chegou a honrar com o seu vizinho.