Trabalhadores da empresa Sal Sarico denunciam maus-tratos
Trabalhadores da empresa Sal Sarico denunciam maus-tratos
empresa Sal Sarico

Mais de 100 trabalhadores da indústria de produção de sal “Sal Sarico”, localizada no município do Panguila, província do Bengo, denunciam maus-tratos, exploração laboral e violação dos direitos humanos, cometidos pelos responsáveis da empresa, maioritariamente cidadãos de nacionalidade eritreia.

Os funcionários clamam por justiça e apelam à intervenção urgente das autoridades competentes.

Segundo fontes do Imparcial Press, os funcionários são forçados a trabalhar em condições desumanas, o que configura uma ameaça à saúde pública e uma grave violação dos direitos laborais.

“Trabalhamos sem qualquer equipamento de biossegurança. Não nos fornecem luvas, botas nem uniformes, e a alimentação fornecida é de péssima qualidade. O chefe dos recursos humanos é angolano, mas está sempre a favor dos expatriados. Ele diz claramente: quem quiser trabalhar, que trabalhe; quem não quiser, que se retire”, desabafaram.

Os trabalhadores acrescentam ainda que a direcção da empresa evita celebrar contratos formais, optando por manter os funcionários como eventuais, para poder despedir a qualquer momento e fugir às obrigações legais, como o pagamento à segurança social.

“Aqui não temos voz. Quem reclama é mandado para casa. A maior parte de nós é jovem e tem medo de perder o emprego”, revelou um dos funcionários, que já trabalha há mais de um ano na empresa.

Perante o clamor dos trabalhadores e no cumprimento do princípio do contraditório, a equipa do Imparcial Press deslocou-se ao local para ouvir a direcção da empresa.

Daniel Sachianga, chefe dos recursos humanos, atribuiu os problemas enfrentados pelos trabalhadores à desorganização não só da sua empresa.

“O nosso governo é o principal culpado. O país ainda não está bem organizado. Há empresas públicas em piores condições que a nossa”, afirmou, afastando qualquer responsabilidade da direcção da “Sal Sarico”.

Os trabalhadores esperam que o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, bem como a Inspecção-Geral do Trabalho, investiguem o caso e garantam a protecção dos seus direitos fundamentais.

A empresa opera no mercado angolano há mais de dois anos e emprega mais de 200 trabalhadores, entre nacionais e expatriados.

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