
A Sociedade Mineira do Chitotolo, a segunda maior mineradora a céu aberto de Angola, está a ser alvo de graves denúncias relativas às condições de trabalho dos seus trabalhadores.
Com mais de 25 anos de operação e uma produção mensal superior a 35.000 quilates, a empresa é acusada, segundo apurou o Imparcial Press, de submeter os seus trabalhadores a condições extremamente precárias e degradantes.
Os operadores de máquinas pesadas, como escavadoras, bulldozers e camiões, relataram ao Imparcial Press que são forçados a trabalhar 12 horas por dia (8 horas normais e 4 horas extras) por um salário base de 280.000,00 kwanzas.
As máquinas, conforme as imagens que este jornal teve acesso, estão em mau estado de manutenção, colocando em risco a saúde e a segurança dos operadores.
Sem as horas extras, os salários são insuficientes, obrigando os trabalhadores a aceitar o que descrevem como “escravidão ou neocolonialismo institucionalizado”.
A situação é exacerbada pelo facto de que a comissão sindical é liderada pelo director das Operações Mineiras (DOM), o que impede uma representação justa dos trabalhadores.
Para obter um salário digno, os trabalhadores precisam de ter entre 5 a 10 anos de serviço, em contraste com outras mineradoras, como a Sociedade Mineira do Somiluana, Catoca e Luele, onde os salários são ajustados anualmente entre 10% e 15%.
O Imparcial Press soube ainda que a Sociedade Mineira do Chitotolo não oferece seguro de saúde. A título de exemplo, os trabalhadores que recorrem às clínicas Sagrada Esperança, no caso de doença, para a assistência médica medicamentosa são descontadas directamente nos salários.
“Aqueles que desejam um seguro de saúde devem arcar com os custos directamente do seu ordenado mensal. Em casos de evacuação para uma unidade hospitalar na capital, os custos são descontados mensalmente do salário do trabalhador”, confidenciaram ao Imparcial Press.
Em conversas com alguns trabalhadores, ficou claro que muitos temem represálias e, por isso, não reivindicam os subsídios de saúde, risco e insalubridade. Com famílias para sustentar, temem perder a sua única fonte de rendimento.
Actualmente, como testemunhou este jornal no local, os operadores de máquinas pesadas são obrigados a trabalhar sem interrupção durante 120 dias (4 meses) em condições precárias, com alimentação insuficiente e água não tratada. Sem um plano de saúde, os mesmos são forçados a escolher entre alimentar a família ou cuidar da saúde.
Os trabalhadores apelam à intervenção de órgãos independentes de defesa dos direitos humanos, advogados independentes e do próprio executivo, solicitando que seja enviada uma delegação para investigar as condições de trabalho na Sociedade Mineira do Chitotolo.