
Os trabalhadores da Sociedade Mineira do Cuango (SMC), província de Lunda Norte, decretaram recentemente uma greve – sem fim a vista – por alegada falta de condições de trabalho. Os grevistas exigem melhores condições, aumento salarial e a destituição do actual chefe das operações mineras, que o acusam de “tribalista”.
O porta-voz da Comissão Sindical de trabalhadores da SMC, Nairóbi Pinto, afirma que a greve foi decretada depois de várias reuniões de concertação com a entidade empregadora e outros organismos competentes, mas sem sucesso.
“Abordamos várias questões atinentes com a vida laboral de todos trabalhadores, e por falta de consenso entre as partes, resolvemos paralisar tudo e exigir as condições básicas”, conta.
Nairóbi Pinto revelou que a greve teve início no dia 20 de Julho, com objectivo de exigir da entidade patronal respostas aos pontos constantes no caderno reivindicativo discutido na assembleia geral, ocorrida a 16 de Outubro de 2022. “Mas, por falta de resposta, entendemos paralisar todos os serviços para exigir as condições básicas de trabalhadores”, reforçou.
O porta-voz da Comissão Sindical fez ainda saber que no caderno reivindicativo, constam igualmente vários outros pontos, como no caso da melhoria de serviços de saúde, a cesta básica e o aumento salarial.
“Quanto à saúde, para sermos assistidos na Clínica Sagrada Esperança, a entidade patronal tem obrigado trabalhadores a pagar uma soma exorbitante que ronda a cerca de mais de 16 a 20 milhões de kwanzas, quando na verdade há quem ganha na mina 200 mil kwanzas/mês”, disse.
O sindicalista lembrou que no contrato que os trabalhadores haviam celebrados com a empresa mineira consta o direito de assistência médica e medicamentosa a todos trabalhadores e seus dependentes.
A volta da situação, os mineiros aproveitam a oportunidade de clamar à direcção da empresa para a electrificação do bairro social construído pelos trabalhadores, localizado na vila mineira de Cafunfo, sem o apoio da referida empresa.
Recentemente membros da Comissão Sindical deslocaram-se, por duas vezes, a Luanda, para junto da direcção da empresa tratar do mesmo assunto, mas sem sucesso.
Outrossim, os grevistas reivindicam a falta de enquadramento de filhos locais, pois, segundo eles, a Sociedade Mineira do Cuango opta pelos expatriados e pessoas de outras regiões do país, que recebem salários avultados do que os nativos, que vivem na miséria alguns com contratos de eventuais ganhando 80 mil kwanzas.
Exigem por outro lado a garantia da saúde dos operadores com idade de reforma e os acometidos com patologias profissionais. “Enquanto os pontos acima referidos não forem atendidos a greve vai continuar”, rematou a fonte.