
Vários trabalhadores da ERMSIL, Lda, empresa de construção civil, há nove anos no mercado, queixam-se de maus-tratos, humilhação, excesso de horário de trabalho, salários em atraso e despedimentos injustos por parte do proprietário da empresa, Adão Ventura.
Os mesmos dizem que estão há três meses sem receber salários e que são despedidos apenas por reivindicarem direitos. A ERMSIL, que está a edificar dois edifícios, no Grupo Boavida, é ainda acusada de não indemnizar os trabalhadores despedidos “injustamente”.
Segundo os queixosos, actualmente não existem na empresa trabalhadores com mais de seis meses de casa devido aos constantes despedimentos de trabalhadores e também de pedidos de demissão por conta das agressões verbais.
Uma antiga trabalhadora administrativa contou que não existem funcionários na ERMSIL com mais de um ano de casa.
Uma outra disse não considerar normais as constantes expulsões de trabalhadores, acrescentando que já não há trabalhadores do tempo da fundação da empresa, com excepção do proprietário.
Um engenheiro da empresa, que se juntou ao grupo dos denunciantes, assegurou ser maltratado e destratado por tentar aconselhar o padrão numa das obras da empresa no Zango. “Fui destratado e muito ofendido por falar de algo que era feito erradamente numa das obras da empresa, no Zango”, contou.
Até jovens, prosseguiu este engenheiro, estudantes finalistas do Instituto Politécnico Industrial de Luanda (IPIL) “Makarenko”, que estiveram apenas na empresa para ter contacto com a realidade laboral, “foram explorados e expulsos por reclamarem da carga horária e do excesso de trabalho”.
Na semana passada, contaram os denunciantes, oito trabalhadores da empresa no Grupo Boavida demitiram-se por conta dos maus-tratos. “Somos destratados, ofendidos, explorados e desrespeitados pelo padrão, o senhor Adão Ventura, sempre com ameaças de despedimentos para quem se atrever a reivindicar”, contam.
Uma senhora de 42 anos, que se juntou ao grupo, contou que foi despedida por pedir ao dono da empresa dinheiro para o táxi. “Por pedir 1.000 kwanzas para o táxi fui despedida da empresa com um mês de salário em atraso”, desabafou a mulher, que diz não ter sido paga até agora.
Os queixosos acusam o dono da empresa de despedir sempre trabalhadores no final de cada mês e de não aceitar pagar os dias trabalhados. “Nunca despede trabalhador no princípio do mês, só no fim. E quando lhe é cobrado o valor dos dias trabalhados, manda-nos ir queixar onde quisermos”, afirmam os visados.
Dois trabalhadores, que no mês de Julho se demitiram, dizem ter chorado muito por conta das ofensas e agressões verbais e físicas que receberam do proprietário da ERMSIL.
“Como é possível numa empresa a folha de salário dos trabalhadores fechar no dia 30 de cada mês? Onde é que se vê isso?”, interrogam-se os trabalhadores que também se queixam da carga de 12 horas de trabalho, ao invés das oito estipuladas por Lei.
Outro contou que foi agredido verbalmente e destratado por pedir ajuda ao patrão quando um dos seus filhos ficou gravemente doente. “Como tínhamos um mês de salário atrasado, como pai, não tive dinheiro para a compra de medicamentos para o meu filho, e fui ao patrão pedir, mas fui infelizmente humilhado e ofendido, por isso, demiti-me”, disse.
A ERMSIL TRADING LDA é uma empresa de construção civil criada em Junho de 2014, e tem como sócios Adão Manuel Ventura e Ermelinda da Silva Mendes Ventura. Actualmente a empresa é responsável pela construção de dois edifícios no Grupo Boavida.
in Novo Jornal