
Funcionários da empresa Popular, pertencente a empresários paquistaneses e dedicada ao fabrico de biscoitos e sumos de marcas como Waffo, Baba-G, Júnior Popular, Real Froot, Doofie e Fruta Lollipop, acusam a direcção de graves violações da Lei Geral do Trabalho e de práticas ilegais na produção e comercialização de alimentos.
Segundo relatos dos trabalhadores da unidade localizada no bairro Estalagem, em Luanda, a empresa tem alterado as datas de validade de produtos vencidos, fabricados em Benguela e posteriormente distribuídos na capital.
Além disso, denunciam que não existem contratos formais, os salários são pagos em numerário, sem recibos, e não há direito a férias, subsídios de risco nem seguros.
“Ganhamos 70 mil kwanzas por mês, trabalhamos das 7h às 16h sem alimentação nem transporte, e qualquer atraso é motivo de ameaça de despedimento. Não temos contratos nem documentos que comprovem o vínculo com a empresa, é pegar ou largar”, relatou um dos trabalhadores, que pediu anonimato por receio de represálias.
Os gerentes Mazhar e Faisane Shahll e o supervisor Skiper, todos de nacionalidade paquistanesa, são apontados como responsáveis por um ambiente laboral descrito como “opressivo e humilhante”.
De acordo com os trabalhadores, as ameaças de despedimento são constantes, os abusos verbais fazem parte do quotidiano e não existe qualquer espaço para diálogo ou reclamações.
Além das questões laborais, os trabalhadores alertam para as más condições de higiene e conservação dos produtos alimentares.
“Pedimos às autoridades que vejam com os próprios olhos a imundície onde os produtos são guardados. Se nos depósitos é assim, imaginem na fábrica de Benguela”, lamentou outro funcionário.
As denúncias foram feitas há mais de cinco meses, mas, segundo os trabalhadores, até agora não houve intervenção eficaz das entidades fiscalizadoras.
“Algumas vezes a ANIESA e associações de defesa do consumidor apareceram, mas entram cegos e saem mudos”, acusam, apelando a uma ação urgente da IGT, IGAE, ANIESA, MAPTSS, INSS, SIC e da própria imprensa.
Os funcionários sublinham que o maior receio é serem despedidos sem justa causa, já que não possuem documentação que comprove o vínculo laboral. “Precisamos do emprego, mas não temos proteção nenhuma. Estamos entregues à sorte”, concluiu um dos denunciantes.
Até ao momento, a administração da empresa Popular não reagiu às acusações.