
Um grupo de trabalhadores dos serviços de cozinha e refeitório do Hospital Materno-Infantil “Mãe Jacinta Paulino”, no município de Viana, em Luanda, encontra-se em greve por tempo indeterminado desde a última quinta-feira, em protesto contra o não pagamento de salários há cerca de 18 meses.
Os funcionários, contratados por uma empresa angolana prestadora de serviços ao hospital, reivindicam o pagamento de salários em atraso, cuja dívida ascende a mais de 100 milhões de kwanzas (aproximadamente 109 mil dólares).
Segundo fontes ligadas à empresa, todas as diligências feitas junto das autoridades competentes revelaram-se infrutíferas até ao momento.
A empresa alega que enfrenta constrangimentos financeiros para regularizar a situação, apontando a morosidade do Estado no pagamento das dívidas como o principal entrave. Solicita, por isso, a intervenção urgente da entidade responsável pela gestão da dívida pública.
Este é mais um exemplo da crise que afecta diversas empresas fornecedoras de bens e serviços ao Estado, que se queixam da falta de previsibilidade e dos atrasos prolongados nos pagamentos.
Empresários de diferentes dimensões – pequenas, médias e grandes empresas – denunciam que, mesmo após a certificação das dívidas, os pagamentos podem levar anos a ser concretizados, colocando em risco a sustentabilidade dos seus negócios.
Há também denúncias de alegadas práticas ilícitas no processo de amortização da dívida pública, com relatos de exigência de comissões de até 30% por parte de intermediários.
Essas alegações nunca foram oficialmente esclarecidas pelo Ministério das Finanças, que mantém silêncio sobre o assunto.
Denúncias sobre gestão de donativos
Paralelamente, fontes internas denunciam que alimentos doados ao Hospital Mãe Jacinta não estão a ser destinados aos pacientes, mas desviados para uso pessoal por parte de alguns responsáveis. A situação, segundo as mesmas fontes, é recorrente e carece de fiscalização eficaz.
Apesar dos investimentos significativos que o Executivo tem feito no sector da saúde, especialmente na expansão e reabilitação de infraestruturas hospitalares, persistem práticas que comprometem os resultados esperados. Casos como este levantam sérias preocupações sobre a gestão dos recursos públicos e o impacto negativo sobre os serviços essenciais, nomeadamente a saúde materno-infantil.