
Trabalhadores do supermercado Intermarket, com lojas em Luanda e Cabinda, denunciam precárias condições de trabalho, baixos salários e intimidação por parte dos gestores de nacionalidade libanesa.
Segundo os trabalhadores, a situação tem-se agravado desde que a administração passou para as mãos da actual gerência, substituindo a anterior gestão indiana.
“Quando o Intermarket estava sob gestão dos indianos, tudo funcionava melhor. Com os libaneses, tudo piorou. Eles são corruptos, pagam para silenciar quem tenta reivindicar os seus direitos e não aceitam greves. Quem participa em manifestações laborais é ameaçado de despedimento”, revelou um funcionário sob anonimato.
Os trabalhadores afirmam que são obrigados a fazer horas extras e desempenhar funções fora das suas atribuições contratuais sem qualquer bonificação.
“Existem lojas onde os funcionários fazem muito mais do que está estipulado no contrato e não recebem nada a mais por isso”, lamentou um dos denunciantes.
Além disso, os salários são pagos sem critérios claros, uma vez que os gestores libaneses remuneram os funcionários conforme a sua preferência pessoal, ignorando a categoria profissional de cada um.
“Se um chefe não simpatizar contigo, podes trabalhar o quanto for, mas nunca serás reconhecido nem terás aumento salarial”, acusou um dos trabalhadores.
Os trabalhadores também denunciam a cumplicidade de alguns gerentes angolanos, que, segundo afirmam, ajudam a reprimir qualquer tipo de contestação.
“Os gerentes angolanos são cúmplices do nosso sofrimento. Eles escondem a verdade, boicotam greves e se aliam aos estrangeiros para prejudicar os próprios compatriotas. Enquanto os estrangeiros chegam aqui e rapidamente assumem cargos de chefia, ganhando milhões, os angolanos que os ensinam a trabalhar continuam a receber salários miseráveis”, desabafou um dos funcionários.
O Intermarket, cuja sede está localizada na Marginal de Luanda, possui unidades espalhadas por vários bairros da capital, como Alvalade, Benfica e Patriota, além de estar representado na província de Cabinda.
Os trabalhadores apelam às autoridades competentes para que intervenham e garantam o cumprimento da legislação laboral, protegendo os seus direitos e evitando represálias por parte da administração.
Por: Geraldo José Letras