Tribalismo em alta no Cuando Cubango – Governador cria ‘república dos Nganguelas’
Tribalismo em alta no Cuando Cubango - Governador cria 'república dos Nganguelas'
Ze martins

Dados a que este jornal teve acesso revelam que o Governador Provincial do Cuando Cubango, José Martins, está a fomentar o tribalismo nas terras que já foram apelidadas do “Fim do Mundo”, tendo recentemente expurgado cerca 97 por cento dos quadros, por não serem nativos.

Fontes deste Jornal asseguram que o clima na província está tenso, pois muitos dos funcionários, desde que José Martins foi a titular da província, perderam os seus empregos.

“Quando foi nomeado como governador, automaticamente fez um levantamento dos quadros que não são naturais, mas que estavam em comissão de serviço, tendo na sequência sido exonerados cerca de 97 por cento destes”, precisou, reforçando que a pressão é tanta que alguns tinham que abandonar a província porque, mesmo exonerados, ainda eram perseguidos.

A indicação de novos quadros, acrescentou, é feita mediante a naturalidade. Aliás, “como se de um pecado se tratasse ser de outra região do país, a lista dos quadros exonerados vinha acompanhada do nome da naturalidade de cada um”. Mesmo para aqueles que ainda mantêm o vínculo com o governo provincial, tinham de ter a sua naturalidade especificada.

Era imaginável que o fantasma do tribalismo fosse dissipado à media que o tempo passa, mas no Cuando Cubango, garante a nossa fonte, este mal continua enraizado no coração de cada um. O actual governador só veio alimentar a discriminação e, deste modo, “retardar o desenvolvimento”.

A fonte lembrou que recentemente, há coisa de dois anos, o anterior governador, Júlio Marcelino Vieira Bessa, foi incitado por um grupo de pressão no interior do MPLA, que exigiu para aquela região um chefe do executivo local nascido naquela localidade preferencialmente de etnia Nganguela, para quebrar os mais de 13 anos em que a província do Cuando Cubango não era dirigida por um governador local. “O partido no poder, ao seu mais alto nível, sabe disso”, caucionou.

Quem defende também esta tendência tribal, refere ainda a nossa fonte, são os deputados do MPLA pelo círculo provincial, nomeadamente João António Lineha Muhembo e João Fernando Mucanda e que seriam autores de uma carta enviada ao Bureau Político para reforçar que a província, actualmente conhecida como do progresso, tenha um governador nativo.

O que quer dizer que o governador não anda sozinho nesta empreitada. Só que alguns militantes que não são naturais do Cuando Cubango, referem que a popularidade dos “camaradas” tende a baixar por causa dessa discriminação que os governantes locais impingem.

A nível do partido MPLA, a província do Cuando Cubango é acompanhada por uma dirigente do Bureau Político, Maricel Marinho da Silva Capama, que tem a reputação de ser dado à intriga e de cultivar tal inclinação como forma de se insinuar junto da direcção do partido em Luanda.

Marciel Capama é apontado como tendo sido a “responsável” de tensões entre o governador cessante e o “grupo de pressão Nganguela”.

in Na Mira do Crime

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