
O Tribunal de Comarca de Luanda iniciou, nesta terça-feira, o julgamento de Gerson Emanuel Quintas, conhecido por “Man Genas”, e de Clemência Suzeth Vumbi, ambos acusados de calúnia, difamação, injúria e associação criminosa.
Segundo a acusação, em 2023, o casal, a partir de Moçambique, publicou nas redes sociais alegações envolvendo oficiais da Polícia Nacional, do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e das Forças Armadas Angolanas (FAA) em supostos esquemas de narcotráfico.
Após a detenção dos arguidos em território moçambicano, para onde haviam se refugiado com a família, o SIC afirmou ter investigado as denúncias, concluindo que eram “totalmente infundadas”.
Durante a audiência, foi lido um documento subscrito pelo antigo ministro do Interior, general Eugénio César Laborinho — um dos oficiais citados nas publicações — no qual o assistente afirma não conhecer nem ter tido contacto prévio com o arguido.
A defesa do ex-ministro solicita a condenação dos réus a oito anos de prisão e ao pagamento de uma indemnização de cinco milhões de kwanzas para cada um, somando dá 10 milhões.
Em interrogatório, Man Genas negou conhecer Laborinho e justificou as publicações nas redes sociais com base em declarações do então ministro, que afirmara que a Polícia não estava envolvida em actividades ilícitas.
Apesar disso, o arguido manteve as acusações contra “altas patentes” da corporação, alegando o envolvimento destas no tráfico de drogas.
Na fase preliminar, o advogado de defesa, Gerson Bunga, levantou questões relacionadas ao que classificou como “excesso de prisão preventiva” do seu constituinte, que se encontra detido desde janeiro de 2024.
O Ministério Público, contudo, refutou essa alegação, esclarecendo que o arguido está a responder a este processo em liberdade, tratando-se de uma queixa-crime particular.
Man Genas residia em Moçambique há cerca de um ano, onde alegava estar refugiado por perseguição política. Contudo, foi deportado pelas autoridades moçambicanas por entrada e permanência ilegais.
Acompanhado pela esposa e dois filhos, estes foram entregues à família, enquanto ele foi detido e permanece sob custódia.
Além do presente processo, o Ministério Público acusa Man Genas de roubo qualificado, abuso de confiança, ultraje ao Estado e aos seus símbolos, incitação pública ao crime, difamação, injúria e calúnia. O julgamento prossegue nos próximos dias, com a inquirição de testemunhas e apresentação de provas.