
O representante especial da União Europeia (UE) para a região dos Grandes Lagos, Johan Borgstam, destacou o papel de Angola na promoção da paz e da estabilidade regional, durante a sua terceira missão oficial ao país, marcada por encontros com as principais autoridades angolanas.
Segundo uma nota de imprensa enviada à redacção do Imparcial Press, Johan Borgstam foi recebido pelo Presidente da República, João Lourenço, e manteve reuniões de trabalho com o ministro de Estado e Chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Pereira Furtado, o ministro das Relações Externas, Téte António, e o ministro dos Transportes, Ricardo Viegas d’Abreu.
Os contactos incidiram sobre a situação política e de segurança na região dos Grandes Lagos, com enfoque no conflito no Leste da República Democrática do Congo (RDC), bem como nos esforços em curso para uma solução pacífica e política da crise.
Durante a missão, o representante especial da UE sublinhou o empenho de Angola, nomeadamente do Presidente João Lourenço, nos processos de mediação regional, reiterando o apoio europeu às iniciativas angolanas que visam promover um diálogo nacional inclusivo na RDC, como contributo para a paz duradoura no Leste do país.
A União Europeia apelou igualmente à desanuviação imediata da escalada do conflito, defendendo um cessar-fogo imediato, eficaz e duradouro, o fim do apoio aos grupos armados e a cessação do discurso de ódio.
Bruxelas reiterou ainda a necessidade de cumprimento dos compromissos assumidos no quadro da Resolução 2773 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, dos Acordos de Washington e do Acordo-Quadro de Doha, incluindo o respeito pela integridade territorial da RDC, a retirada das tropas rwandesas do território congolês, o fim do apoio ao M23 e a neutralização das Forças Democráticas de Libertação do Rwanda (FDLR).
No plano económico, Johan Borgstam presidiu à delegação da União Europeia na reunião inaugural de coordenação do Corredor do Lobito, realizada em Luanda, a 5 de Fevereiro, a pedido dos governos de Angola, da RDC e da Zâmbia.
O encontro reuniu decisores políticos dos três países e parceiros internacionais, com o objectivo de reforçar a coordenação e acelerar a implementação do projecto.
Para a União Europeia, o Corredor do Lobito constitui um dos projectos emblemáticos da estratégia Global Gateway, sendo considerado um eixo estruturante para a integração económica regional.
Ancorado no Porto do Lobito, o projecto visa ligar regiões do interior de Angola, da RDC e da Zâmbia, promovendo o comércio, o investimento privado, a criação de emprego e o desenvolvimento sustentável.
A UE sublinha que o corredor representa a primeira ligação ferroviária transcontinental de acesso aberto em África, com elevado potencial económico e social.
No âmbito da estratégia Global Gateway, a União Europeia e os seus Estados-membros mobilizaram investimentos superiores a dois mil milhões de euros, centrados em cinco sectores prioritários: energias renováveis e clima, cadeias de valor dos minerais, facilitação do comércio e trânsito, formação técnico-profissional e desenvolvimento de competências, bem como cadeias de valor agrícolas.
No final da reunião de coordenação, Johan Borgstam afirmou que foram alcançados “progressos significativos” na coordenação dos esforços dos parceiros regionais e internacionais para tornar o Corredor do Lobito uma realidade, em benefício das populações ao longo do seu trajecto.
O diplomata considerou o projecto um exemplo do impacto positivo do multilateralismo na agenda do desenvolvimento.
O representante especial agradeceu ainda às autoridades angolanas pelo seu empenho na promoção da paz e da prosperidade a nível regional e continental, salientando o papel de Angola enquanto Presidente em exercício da União Africana e o êxito da Cimeira União Africana–União Europeia realizada em Novembro passado, em Luanda.
A União Europeia reiterou, por fim, que continuará a apoiar os países da região dos Grandes Lagos nos seus esforços em prol da paz e da prosperidade, considerando a integração económica regional um elemento central para a estabilidade e o desenvolvimento sustentável.