Uíge: MPLA exonera secretário provincial do DIP
Uíge: MPLA exonera secretário provincial do DIP
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O MPLA no Uíge exonerou hoje o secretário provincial do Departamento de Informação e Propaganda (DIP), Virgílio Cordeiro João, depois de este ter sido constituído arguido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) local por suspeitas de sequestro, posse ilegal de arma de fogo, espancamentos, associação criminosa e ofensas corporais graves.

A decisão foi aprovada quinta-feira pela Comissão Política do Comité Provincial do MPLA no Uíge, segundo informações avançadas por fontes do Imparcial Press, na sequência de um caso que envolve alegados actos de violência no município do Dange Quitexe, no âmbito de um conflito de terras.

Para substituir Virgílio João, o partido nomeou Gildo Laurindo Unigénito, actual administrador municipal do Bembe, cuja tomada de posse está marcada para amanhã.

Segundo relatos, a exoneração foi motivada pelo impacto político e institucional do caso, considerado lesivo para a imagem do partido naquela província do norte de Angola.

Virgílio Cordeiro João foi detido no passado dia 24 de Março, após ser implicado em incidentes violentos ocorridos na aldeia Dambi Angola, no município de Dange Quitexe, onde é acusado de ter participado, com outros indivíduos, em acções de intimidação e agressão contra moradores, na sequência de um litígio fundiário.

De acordo com testemunhos recolhidos localmente, o responsável político terá recorrido à sua influência para mobilizar um grupo de jovens oriundos do bairro Candombe, na cidade do Uíge, apontados por residentes como indivíduos com historial de violência, para actuar contra um cidadão com quem mantinha alegados desentendimentos sobre limites de terras entre fazendas vizinhas.

Os relatos indicam que, numa primeira fase, o grupo deslocou-se à localidade e efectuou disparos, gerando pânico entre os moradores, regressando horas depois para novas acções violentas.

Entre as vítimas estão Francisco Bernardo José, de 26 anos, conhecido por “De Momento”, e Justino Bernardo, de 37 anos, conhecido por “Vida”, que terão sido agredidos com recurso a catanas, amarrados pelo pescoço e deixados inconscientes.

Os dois homens foram socorridos e transportados para o hospital municipal de Dange Quitexe, onde receberam assistência médica, segundo fontes locais.

A exoneração surge também numa altura em que persistem interrogações sobre a actuação das autoridades no caso, depois de fontes terem denunciado uma alegada interferência política no processo.

Conforme essas fontes, o governador da província do Uíge, José Carvalho da Rocha, terá ordenado a libertação de Virgílio Cordeiro João, numa alegada orientação transmitida ao comandante provincial da Polícia Nacional, comissário Ernesto Haiyamunye, facto que levantou dúvidas sobre o respeito pelos princípios da legalidade e da separação de poderes.

As mesmas fontes sustentam ainda que, após ter sido colocado em liberdade condicional, Virgílio João terá procurado recompor a sua imagem pública, promovendo um jogo de confraternização com a comunidade local e divulgando vídeos que, segundo críticos, procuravam passar a ideia de normalidade, apesar da gravidade das acusações.

Segundo relatos locais, a iniciativa terá sido apresentada sob a bandeira do MPLA e em nome do seu presidente, o que terá agravado o desconforto dentro das estruturas partidárias e precipitado a sua saída do cargo.

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