
“Nós, no País, perdemos muito tempo nas redes sociais”, dei por mim a concordar com um amigo recentemente.
Produzimos pouquíssimo e nem nos damos conta do quanto consumimos produtos descartáveis e sem valor intelectual nenhum, tornando o nosso “estado-geral” verdadeiramente regressivo.
É por isso que os jovens perdem largas horas a ouvir activistas com um teor alta e toxicamente populista, dos quais não são conhecidas quaisquer ideias para edificar o que quer que seja, vivendo a base do insulto e jamais aceitando serem criticados por quem não partilhe os seus ideais e valores, se é que os há.
O país do populismo torna os nossos jovens, altamente reféns do imediatismo, esquecendo-se do velho ditado segundo o qual “Roma e Pavia não se fizeram em um só dia”.
Mas no País do populismo continuamos a viver episódios que urge corrigir e que tornam as pessoas distantes dos que nos governam. Porque andam carregados de batedores até nos domingos. Porque andam apinhados de guardas até nas salas de jantar e festas de aniversários, não sendo alguns jovens excepção, pelo contrário, assustam-nos com uma regra vergonhosa. Falta bom-senso!
No país do populismo discutem-se pessoas e não ideias ou projectos. Por isso o meu amigo publicou há alguns dias uma nota resumida de um verbete que escreveu sobre o mercado das commodities, especialmente dos metais preciosos que estão a sofrer uma alta procura até mesmo para atender a indústria dos renováveis, mas logo começou a ser catalogado.
Não aproveitamos e não dialogamos com os nossos, mas somos céleres nos epítetos, para não dizer que nos apressamos a matar os mensageiros no lugar de prestar atenção, mínima que seja, às ideias.
No país do populismo faltam reformas dignas da segurança social e dos fundos de pensões para evitarmos assistir gente agarrada aos tachos como se alguma vez tivessem nascido com eles. dizem alguns que é a sede do poder.
Eu chamo a isso falta de carácter, daqueles que estão em certas posições para se servirem e não para servirem a colectividade.
No País do populismo há uma nova forma de fazer política que se esconde nas redes sociais e tem como exercício predilecto inverter as políticas e medidas do governo, cultivando o maldizer por tudo e mais alguma coisa. cultivando a crítica fortuita e descredibilizando tudo e todos. É claro que não é uma acção inocente e desinteressada. é uma acção concertada, alinhada feita com base numa agenda de poder, por isso montada em laboratórios especializados em guerrilhas cibernéticas.
Como sempre, usam as valências da internet, especialmente das redes sociais para destruir. É mais fácil. Não edificam nem conseguem ajudar os jovens a deixarem de pensar na lógica de empregadores preguiçosos e presunçosos, mas sim de empreendedores, quando não inventores e criativos, disruptivos e altamente produtivos.
O país do populismo viveu sempre a base dos activistas de toda a espécie. Os tais cabos eleitorais que não olham a meios para levar os jovens, criando na sociedade uma ideia de que o dinheiro é o princípio e o fim e de que tudo se resume a isso.
Uma sociedade fatalmente materialista e que abomina os valores e a virtude do trabalho, da honestidade, da integridade. Uma sociedade que convive facilmente com a corrupção de toda a monta, tornando os enriquecidos em figuras ou heróis mais valentes do que os de qualquer banda desenhada.
No país do populismo o activismo é reivindicativo e alegra-se com o insulto e o ultraje, confundindo liberdade com libertinagem e insulto com o discurso, prevalecendo a lógica de quanto mais grito, disparates, maldizeres sou o “vencedor do top dos mais queridos” nas famigeradas redes.
No país do populismo falar de literatura é boring e por isso assistimos todos a morte silenciosa da União dos Escritores Angolanos. E no lugar dos escritores e outros intelectuais vemos o palco e o tempo de antena das televisões cristalizarem-se com os relés influenciadores digitais.
Mas no país do populismo, os jovens reproduzem-se todos os anos e os seus anseios estão no topo das prioridades. Pena que os resultados não tenham a mesma velocidade. Ainda assim, a derrocada do populismo só será possível com boa governação, mediante o desenho de políticas acertadas e acima de tudo altamente eficientes.
A derrocada do populismo só poderá ser feita mediante um governo altamente competente e eficaz. A derrocada do populismo só poderá ser feita mediante uma capacidade de diálogo permanente, de melhor comunicação, como recomendara o Presidente João Lourenço, mas acima de tudo de maior sensibilidade e proximidade com as pessoas, de modo particular com os jovens e os grupos mais vulneráveis, combatendo a fome, a pobreza e o desemprego, ou doutro modo, promovendo o crescimento, a riqueza e a prosperidade no seio das nossas famílias, de Cabinda ao Cunene e do Lobito ao Luau.
*Jornalista, in Jornal de Angola