
Ouvi a intervenção, amplamente partilhada, da jovem deputada do MPLA, Elizandra Wassuca. Uma jovem que, como muitos de nós, nasceu na década de 90.
Tal como todos os jovens dessa década, a deputada Elizandra também não viu, não viveu e não sabe o que é a guerra, mas o seu discurso parece o de uma velha de 100 anos — um discurso de guerra; muito envelhecido e totalmente desactualizado:
1 – A Elizandra Wassuca, mesmo sendo jovem, tem um discurso que cheira a guerra, que soa a uma velhota seiscentista.
2 – Ela afirma “apelar aos jovens para nunca saberem o que é a guerra”, mas ela própria também não sabe o que é a guerra, porque, tal como todos os jovens das décadas de 90, apenas lhe contaram histórias e leu nos livros de História sobre a guerra civil.
3 – A deputada Elizandra foi mais longe: praticamente afirmou que os jovens angolanos são ignorantes e tacanhos — tanto que declarou que as manifestações só ocorreram porque os jovens foram manipulados por “mãos invisíveis”.
4 – Esse discurso, vindo de uma jovem da nossa geração, num país cuja maioria da população é jovem, onde mais de metade está desempregada e outra parte significativa se alimenta do lixo, revela alguém que, apesar de jovem, não representa de forma alguma a juventude.
5 – Mas, pelo menos, teve a “sorte” de ser deputada, ou seja, vive no “bem-bom”; e, portanto, apesar da sua idade, não passa pelas dificuldades que os outros jovens enfrentam.
6 – Não sabe o que é viver sem perspectivas; é jovem, mas, como é deputada, não sabe o que é viver num país onde os sonhos se transformam em pesadelos.
7 – A deputada, mesmo sendo jovem e, portanto, da nossa geração — o que deveria ser um motivo de orgulho, uma ponte para defender os interesses da juventude —, afirma que os jovens angolanos não são capazes de pensar por si próprios e que desconhecem os seus direitos como cidadãos — uma grande ofensa à juventude.
8 – Para ela, os jovens angolanos, de tão “ingénuos” que são, para irem à rua manifestar-se, precisam de uma “mão invisível” para os manipular.
9 – Ou seja, na sua visão, não seria natural que os jovens angolanos quisessem reivindicar os seus direitos.
10 – O que a jovem deputada parece esperar da juventude angolana é uma geração ingénua e tacanha — uma juventude que prefira alimentar-se do lixo a reivindicar os seus direitos.
11 – Mesmo sendo jovem, optou por seguir um discurso velho, seiscentista; não se mostra satisfeita ao ver os jovens a despertar e a começar a exercer a cidadania: A pergunta é: porquê será?