
Jovens políticos promissores das províncias do Norte de Angola têm sido, de forma crescente, marginalizados pela actual liderança da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), segundo uma pesquisa conduzida pelo Imparcial Press.
Figuras como Jeff Dembo, Olavo Castigo, João Bessa, Nestor Luemba, José Gomes, João Kiamba, Domingos das Dores, Simão Tekas e Paulo Pupas, todos com origem nas províncias do Bengo, Uíge, Cuanza Norte, Malanje e Zaire, estão a ser relegados para as “cinzas” da política interna do partido, num movimento que levanta sérias preocupações sobre a representatividade e o futuro do partido na região.
Fontes do Imparcial Press alegam que estes jovens, reconhecidos pela sua capacidade de mobilização e contribuição intelectual, têm sido deixados de lado numa aparente estratégia do líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, que privilegia a ascensão de quadros oriundos das regiões Centro e Sul do país.
Esta decisão, que segundo fontes internas, é deliberada, está a gerar desconforto e insatisfação entre os eleitores e líderes locais do Norte de Angola, que se sentem cada vez mais afastados do processo de decisão dentro do partido.
O afastamento (in)directa destes jovens líderes ocorre num contexto em que a UNITA, tradicionalmente vista como a principal força de oposição em Angola, enfrenta desafios significativos para consolidar a sua base de apoio em todo o país.
O aparente desinteresse pela promoção de jovens políticos do Norte pode ter repercussões profundas, não apenas na coesão interna do partido, mas também na sua capacidade de mobilizar apoio popular nas províncias do Norte, onde há uma expectativa crescente de maior inclusão e representação.
Analistas políticos, consultados pelo Imparcial Press, sugerem que esta abordagem pode estar a enfraquecer a UNITA numa região historicamente crucial para o equilíbrio político nacional.
O descontentamento local pode resultar numa erosão do apoio ao partido, num momento em que a diversidade regional e a inclusão são vistas como essenciais para qualquer força política que aspire a governar Angola.
A estratégia de concentrar o poder e a promoção de jovens líderes nas regiões Centro e Sul do país – Adriano Sapinala, Nelito Ekuikui, Navita Ngola, Ariane Lusadisu Nhany, Rafael Savimbi, entre outros – é vista por muitos como uma aposta arriscada, que pode alienar uma parte significativa do eleitorado.
Entretanto, os jovens do Norte, antes vistos como o “arsenal político” do partido, permanecem à margem, numa situação que pode ter implicações significativas nas dinâmicas futuras da UNITA.
A insatisfação crescente no Norte levanta questões críticas sobre o compromisso da UNITA com a unidade nacional e a representatividade equitativa. “Se não for abordada, esta situação pode aprofundar as divisões regionais e comprometer a posição do partido como uma força política inclusiva e verdadeiramente nacional”, rematou um dos analistas ao Imparcial Press.