
Num comunicado divulgado ontem, quarta-feira, 28, em Luanda, a UNITA manifestou grande preocupação com as recentes declarações do Presidente do MPLA, feitas durante a reunião com os primeiros secretários dos Comités de Acção do partido.
A UNITA, principal partido da oposição em Angola, expressou críticas contundentes ao que descreveu como uma “grave crise de liderança” no MPLA, que, segundo o comunicado enviado à redacção do Imparcial Press, está a comprometer a capacidade de governação do país.
O Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA apontou que a actual crise interna do MPLA se reflecte na dificuldade do partido em executar o seu programa de governo.
De acordo com a UNITA, o MPLA enfrenta desafios significativos devido à corrupção institucionalizada, a uma mentalidade monolítica e a uma cultura política que exclui vozes dissidentes.
A UNITA acusa o partido governante de transformar Angola num país onde aqueles que se opõem ao regime vivem sob constante ameaça de repressão.
O comunicado não poupou críticas ao Presidente da República, que também lidera o MPLA. A UNITA afirmou que o Presidente não tem demonstrado estar à altura da missão de representar todos os angolanos e acusou-o de promover um discurso que divide o país.
Segundo a UNITA, o Presidente mostrou-se contrário à unidade nacional e ao Estado Democrático de Direito, contribuindo para a polarização política e social em Angola.
A UNITA também refutou as acusações feitas pelo presidente do MPLA contra a oposição durante a recente votação da Lei dos Crimes Contra a Vandalização de Bens Públicos. O partido desafiou o presidente a apresentar provas concretas das alegações, acusando-o de recorrer a calúnias para desviar a atenção dos problemas internos do governo.
O partido da oposição alertou para o que descreveu como uma “nostalgia” de João Lourenço em relação ao antigo sistema de partido único que marcou amargamente a história de Angola nas décadas passadas. Para a UNITA, esse retorno ao passado é prejudicial para a consolidação da democracia no país.
O comunicado denuncia o que chama de tentativas do Presidente de influenciar o Poder Judicial e controlar o funcionamento da Assembleia Nacional, minando a independência das instituições democráticas.
Perante as preocupações expressas, a UNITA apelou a todos os sectores da sociedade angolana – incluindo membros de outros partidos, igrejas, organizações da sociedade civil, o Poder Judicial e as Forças de Defesa e Segurança – a rejeitarem o que considera ser um discurso que ameaça a paz, a democracia e a reconciliação nacional.
O comunicado destaca que o Presidente da República deveria ser o principal defensor da unidade nacional, e não um agente de divisão.
Por outra, a UNITA questionou igualmente a credibilidade das iniciativas diplomáticas do Presidente para a promoção da paz na região dos Grandes Lagos, ressaltando a contradição entre essas acções externas e o discurso de divisão que, segundo o partido, é promovido internamente.
Por fim, a UNITA instou o MPLA e o seu líder a abandonarem a retórica de ódio e intolerância, adotando uma postura mais inclusiva e transparente. O partido conclamou o povo angolano a resistir a qualquer tentativa de intimidação que possa comprometer o livre exercício dos mandatos dos deputados na Assembleia Nacional.
A UNITA reafirmou o seu compromisso com a defesa dos direitos, liberdades e garantias fundamentais, conforme consagrados na Constituição da República de Angola, e exortou os seus deputados a continuarem firmes na luta por um país mais justo e democrático.