UNITA minimiza declaração do BP do MPLA e diz que “quem não dialoga é fraco”
UNITA minimiza declaração do BP do MPLA e diz que "quem não dialoga é fraco"
acj-UNITA

A UNITA minimizou a declaração do Bureau Político do MPLA emitida terça-feira, 27, onde este partido pede ao povo para repudiar todas as acções que visem “alterar o sentimento expresso pelos angolanos nas urnas” e anuncia de forma inequívoca que não vai dialogar com a UNITA nem caminhar com o partido do “Galo Negro” como propôs Adalberto Costa Júnior.

“Nós realizamos uma marcha da liberdade pacífica, ordeira e calma”, disse o porta-voz da UNITA, Marcial Dachala, questionado sobre a posição do Bureau Político do MPLA, acrescentando que quem não aceita reptos para dialogar “é fraco”.

O MPLA diz mesmo que não caminhará em qualquer circunstância com o líder do partido do “Galo Negro” depois deste ter admitido caminhar junto com o MPLA se isso for importante para defender os interesses dos angolanos, Marcial Dachala, respondeu que o diálogo é a arma dos homens fortes.

“Aquele que liminarmente exclui o diálogo na sua forma de estar e de ser na vida é fraco. Nós pensamos que vamos continuar na nossa linha, aquilo que foi definido claramente pelo nosso líder. Isso não demorara muito tempo, vamos dialogar”, acrescentou o porta-voz da UNITA salientando que a isso lhes impõe a história do País.

Refira-se que o Bureau Político (BP) do MPLA pediu em comunicado ao povo para repudiar todas as acções que visem “alterar o sentimento expresso pelos angolanos nas urnas” numa resposta directa ao discurso feito pelo líder da UNITA na manifestação de Sábado, em Luanda.

Nesta resposta atirada contra Adalberto Costa Júnior, o BP do MPLA diz mesmo que não caminhará em qualquer circunstância com o líder o partido do “Galo Negro” depois deste ter admitido caminhar junto com o MPLA se isso for importante para defender os interesses dos angolanos.

Em comunicado, o BP do MPLA vem opor-se às “narrativas eivadas de intenções que atentam contra a soberania nacional e os seus titulares, a integridade territorial, a ordem constitucional, bem como a dinâmica de desenvolvimento económico, político, social e cultural que Angola regista”, focando-se no discurso do líder da UNITA no sábado último.

“Contrariamente aos discursos demagogos dos seus adversários políticos, o MPLA reitera o compromisso de continuar a trabalhar tendo como bússola uma comunicação verdadeira e honesta, capaz de mobilizar os angolanos em prol do desenvolvimento económico e social do País”, lê-se numa “nota de repúdio” divulgada pelo Bureau Político do MPLA.

Este órgão máximo do partido no poder exorta, mais uma vez, os angolanos de bem a “manifestarem o seu sentimento de reconhecimento e de orgulho patriótico pela missão do Executivo proporcionar melhores condições de vida às populações”.

“O MPLA jamais alinhara com forças políticas que não respeitam a Constituição e a Lei, promovem a subversão, incitam actos de violência e vandalismo, recusam-se a respeitar a vontade popular, chegando ao ponto de não felicitar o vencedor, a quem agora se arrogam ao direito de convidar para caminhar lado a lado”, acrescenta a nota, numa alusão ao que disse o líder da UNITA no Sábado, no sentido de não ver problemas em caminhar com o MPLA pelos interesses dos angolanos.

De acordo com o documento, o MPLA, como partido sério com responsabilidades de Estado, “caminhará, sim, com as forças políticas que defendam o patriotismo e a unidade nacional, promovam a paz e a estabilidade e contribuam para o fortalecimento da democracia e o desenvolvimento de Angola”.

“O Bureau Político considera de grave os discursos injuriosos e de incitação à subversão, feitos por aqueles que na Assembleia Nacional juraram perante o povo angolano em cumprir e fazer cumprir as leis do País”, refere.

O Bureau Político do MPLA apela aos seus militantes, simpatizantes e amigos, que mantenham a calma e serenidade, abstendo-se de provocações e deixando que “as autoridades competentes respondam com força legal ao irresponsável protagonismo que determinados actores políticos avocam para si, ao arrepio do constitucional e legalmente consagrado”.

Por fim, a direcção do MPLA insta a população em geral a pautar por uma conduta de cidadania em que se eleva a protecção dos direitos individuais e colectivos, no intuito de preservar a paz, a estabilidade e a desaconselhar actos de desrespeito às autoridades.

Adalberto Costa Júnior, disse, durante um discurso no âmbito da “marcha pela Liberdade”, que levou milhares de pessoas ao Largo das Escolas no último sábado, que está disposto a “caminhar junto com o MPLA” para fazer de Angola um país democrático e justo e melhorar a vida dos angolanos, mas avisou que vai cobrar as promessas eleitorais de João Lourenço que coincidirem com as suas, como as eleições autárquicas em 2023.

O que disse BP do MPLA?

Eis a nota de repúdio na íntegra enviada ontem (terça-feira, 27) a imprensa.

  1. Com a investidura do Camarada João Lourenço para o exercício do segundo mandato como Presidente da República de Angola, a tomada de posse dos Deputados à Assembleia Nacional e do Executivo, decorrente das Eleições Gerais de 24 de Agosto, o Bureau Político do Comité Central do MPLA considera contraproducente quaisquer manifestações discursivas que contrariam a acção imediata do Executivo, consubstanciada em trabalhar mais e comunicar melhor.

2. Neste momento, o Executivo está focado na implementação efectiva do Programa de Governo sufragado nas urnas, tendo como premissa fundamental, melhorar as condições de vida da população.

3. O Bureau Político do MPLA exorta a todo o povo angolano no sentido de repudiar, veementemente, todas as acções explícitas ou veladas, que visem alterar o sentimento expresso pelos angolanos nas urnas, e opor-se às narrativas eivadas de intenções que atentam contra a soberania nacional e os seus Titulares, a integridade territorial, a ordem constitucional, bem como a dinâmica de desenvolvimento económico, político, social e cultural que Angola regista.

4. Contrariamente aos discursos demagogos dos seus adversários políticos, o MPLA reitera o compromisso de continuar a trabalhar tendo como bússula uma comunicação verdadeira e honesta, capaz de mobilizar os angolanos em prol do desenvolvimento económico e social do País.

5. O Bureau Político do MPLA exorta, mais uma vez, os angolanos de bem, a manifestarem o seu sentimento de reconhecimento e de orgulho patriótico pela missão do Executivo proporcionar melhores condições de vida às populações.

6. O MPLA jamais alinhará com Forças Políticas que não respeitam a Constituição e a Lei, promovem a subversão, incitam actos de violência e vandalismo, recusam-se a respeitar a vontade popular, chegando ao ponto de não felicitar o vencedor, a quem agora se arrogam ao direito de convidar para caminhar lado a lado.

7. O MPLA, como Partido sério com responsabilidades de Estado caminhará, sim, com as forças políticas que defendam o patriotismo e a unidade nacional, promovam a paz e a estabilidade e contribuam para o fortalecimento da democracia e o desenvolvimento de Angola.

8. O Bureau Político considera de grave os discursos injuriosos e de incitação à subversão, feitos por aqueles que na Assembleia Nacional juraram perante o povo angolano em cumprir e fazer cumprir as leis do País.

9. O Bureau Político do MPLA apela aos seus militantes, simpatizantes e amigos, que mantenham a calma e serenidade, abstendo-se de provocações e deixando que as autoridades competentes respondam com força legal o irresponsável protagonismo que determinados actores políticos avocam para si, ao arrepio do constitucional e legalmente consagrado.

10. Por fim, o Bureau Político do MPLA insta a população em geral a pautar por uma conduta de cidadania em que se eleva a protecção dos direitos individuais e colectivos, no intuito de preservar a paz, a estabilidade e a desaconselhar actos de desrespeito às autoridades.

Com/NJ

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