Viana: Mais de 300 alunos da “Escola 5008” manifestaram-se exigindo carteiras – Polícia dispersou os pequenos com tiros e deteve professor
Viana: Mais de 300 alunos da "Escola 5008" manifestaram-se exigindo carteiras - Polícia dispersou os pequenos com tiros e deteve professor
alunos no chão

Mais de 300 crianças da Escola 5008, da rua Beto Escarneiro, na Estalagem, município de Viana, em Luanda, juntaram-se esta quinta-feira, 13, numa manifestação de protesto para exigirem das autoridades locais a reposição das carteiras nas salas de aula, visto que a escola está sem carteiras para os alunos se sentarem há vários anos.

Organizados em marcha, os alunos percorreram perto de três quilómetros em direção à administração municipal de Viana onde foram interceptados pela Polícia Nacional (PN) que os dispersou com disparos de armas de fogo, denunciaram os pequenos ao Novo Jornal.

Os alunos sustentam que apenas pretendiam, com essa iniciativa, exigir da administração de Viana explicações sobre a falta de carteiras na escola onde estudam.

“Nós acordamos às 5:00 para chegar cedo à escola e conseguir um assento. Estamos cansados de nos sentarmos no chão”, denunciaram os pequenos.

Segundo as crianças, três alunos sentam-se numa das pouquíssimas carteiras existentes.

Os pequenos afirmam que a direcção da escola foi quem os mobilizou para realizarem a manifestação desta quinta-feira, mas a direcção demarca-se e acusa um dos seus professores de ser o mentor da manifestação.

A Polícia Nacional, através do seu porta-voz, superintendente Nestor Goubel, assegura que os alunos praticaram actos de vandalismo antes de saírem da escola onde “destruíram cerca de 50 carteiras”, facto que os pequenos negam, acusando a direcção e a PN de agirem de má-fé.

Nestor Goubel assegura que o professor, de nome Diavava Bernardo, foi ontem detido pela polícia por arregimentar as crianças para se manifestarem contra a instituição do Estado.

Entretanto os alunos disseram ao Novo Jornal que o professor apenas teve a vontade de os ajudar a exigir os seus direitos e que é falsa a ideia que os terá agitado para protestarem.
Francisco Teixeira, do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), disse que não houve razões para a PN agredir as crianças que apenas exigiam carteiras para se sentar.

“A polícia acha que a vida daquelas crianças não tem nenhuma importância. Acham que os alunos não deviam reclamar as carteiras e devem continuar a sentar-se no chão?”, lamentou o responsável do MEA, rematando que “chegámos ao fundo do poço”.

in NJ

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