
A cidade de Benguela encontra-se, desde quinta-feira (7), sob um forte dispositivo de segurança devido à deslocação do Presidente da República, João Lourenço, que irá presidir, neste sábado, à Primeira Reunião Extraordinária do Conselho de Governação Local, bem como à cerimónia de abertura da 5.ª Edição da Feira das Cidades e Municípios de Angola.
A agenda presidencial, acompanhada de perto pelo Imparcial Press, decorre num ambiente de vigilância intensa e presença ostensiva de forças de segurança, com destaque para efectivos da guarda presidencial, viaturas de escolta e patrulhamento reforçado em diversos pontos estratégicos da cidade.
Apesar do carácter institucional dos eventos, a visita não escapa à polémica: diversas fontes locais relatam a mobilização forçada de funcionários públicos, especialmente no sector da Educação.
No município do Dombe Grande, por exemplo, circulou um comunicado interno que impõe a presença obrigatória de professores nas actividades presidenciais, incluindo o registo de presenças e o envio de listas às autoridades municipais.
A prática, recorrente em deslocações do Chefe de Estado, tem sido alvo de críticas por parte da sociedade civil, que denuncia o uso instrumental da máquina administrativa do Estado para projectar apoio popular artificial.
“É uma encenação de massas. Os funcionários são pressionados a comparecer sob risco de represálias administrativas. É propaganda disfarçada de protocolo”, afirmou um activista local, sob anonimato.
A medida, segundo analistas, compromete a liberdade individual dos trabalhadores públicos e desvia o foco dos serviços essenciais, ao obrigar profissionais — como professores — a abandonarem as suas funções para participar em actos cerimoniais.
A presença massiva de forças de segurança, aliada à mobilização de populares, cria um cenário de contenção e controlo, que contrasta com o espírito descentralizador que se pretende promover com a realização da Feira das Cidades e Municípios.
Para alguns observadores, há uma dissonância entre o discurso de governação participativa e o ambiente de repressão velada, onde a liberdade de expressão e manifestação é substituída por protocolos rígidos e plateias forçadas.
Por: Ngola Ntuady Kimbanda Nvita