
Um homem quando vai para velho acontece-lhe tudo. Anda a circular uma “carta aberta” dirigida a um suburbano que dá a cara pelo banditismo político reinante em Portugal, um tal André Ventura. Nunca desceria tão baixo dando confiança a alguém que tem estatuto de verme e é leproso moral.
Se fosse o autor do texto, seria mil vezes mais duro. Acontece que estou de acordo com tudo o que está escrito na missiva e então só me resta dizer: Considerem a carta minha, ainda que não seja.
Eu não escrevo assim. Às vezes fica-me bem ser moderado e cordato, como foi o verdadeiro autor da “carta aberta”, ao qual agradeço a deferência.
Serrote José de Oliveira mais conhecido por “General Nila” está desaparecido. É um dos responsáveis pela rebelião que eclodiu em Luanda e outras cidades, à boleia da greve dos taxistas.
Chamam-lhe activista. O seu activismo passa por pilhagens. Destruições de equipamentos públicos. Assaltos e destruição de empresas. Homicídios. Pode ser que tenha chegado a hora de prestar contas à sociedade que agrediu, magoou e enlutou.
Laura Macedo, activista. Um órgão da propaganda policial de Berlim (Deutsche Wella) diz que ela foi ameaçada de morte. Também foi ameaçada de violação. Isso queria a velha perua!
A senhora activista Laura Macedo disse que as ameaças partiram da polícia. Enchem a boca com o Estado Democrático e de Direito. Mas depois não respeitam as instituições do Estado. Violam a Leis. Abusam das Liberdades. Que horror! A menina Laura, coitadinha, só usou a liberdade de expressão.
Quanto às violações, palpita-me que a activista Laura Macedo vai ter de recorrer ao General Nila, ao Brigadeiro Mata Frakus, ao Osvaldo Kaholo ou ao Hitler Uasaluka. Fora desse mercado não deve arranjar clientes. Nem bêbados! Há muita oferta e pouca procura.
O subcomissário Mateus Rodrigues, na última intervenção que ouvi, anunciou que a rebelião causou 30 mortos e 277 feridos. Foram detidos 1.515 suspeitos. Foram destruídos 118 estabelecimentos comerciais, 24 autocarros públicos, 20 veículos particulares, cinco viaturas das forças de defesa e segurança, uma motorizada e uma ambulância.
O oficial da Polícia Nacional Mateus Rodrigues faz muito bem o seu papel. O senhor Comandante-Geral, Francisco Monteiro Ribas da Silva, falou mas tinha feito bem melhor se ficasse calado. O ministro Homem falou e ainda bem. Todos ficaram a saber que faz tanta falta no Executivo como a sarna.
Um vídeo sobre os acontecimentos no Calemba II permite ver o “activista” que abria caminho à rebelião com um cartaz onde estava escrito: “Voto ou Bala”. Está tudo dito e revelada a marca de origem da rebelião.
Amanhã faz uma semana que foi desencadeada a rebelião. Até agora as autoridades competentes não revelaram dados essenciais para a compreensão dos acontecimentos.
Os angolanos têm o direito de saber quem está por trás de um acontecimento que causou 30 morto, 277 feridos, 1.515 detidos. Vandalização de bens públicos e privados. O chefe Miala só serve para organizar os “shows” do circo.
A maka é esta. Auxiliares do Titular do Poder Executivo estão convencidos de que o povo se contenta com pão e circo. Esta era a fórmula dos romanos.
Os umbundistas conhecem esta frase: Valoma, vatungisile apwilawesi avo ovyengele vyalwa, olondjo vyolomapalo kavitendiwa: Kavalasima ondjo okwitungisila vakwalohadi.
Os romanos construíram circos e teatros em grande quantidade. Nunca pensaram em construir uma casa para os desgraçados.
O império romano caiu porque só pão e circo para os desgraçados, não basta. Um prato de comida, trabalho com salários dignos, educação, saúde e um tecto também ajudam e muito. Os bárbaros acabaram com o poder de Roma.
O III Reich caiu estrondosamente. Circo sem pão e muito sangue ditaram a derrocada. Agradeçam ao Exército Vermelho. O império português foi à vida. MPLA, PAIGC e FRELIMO rejeitaram o circo e preferiram a conquista do pão, da dignidade e da liberdade. Esqueçam isso do pão e circo.
O Prémio Rómulo Gallegos (o patrono é autor da obra-prima Dona Bárbara) este ano foi atribuído ao escritor argentino Vicente Battista pelo seu romance “O Simulacro dos Espelhos”. Leiam imediatamente. É um hino à Arte Literária.
No momento da entrega do galardão, o ministro da Cultura da Venezuela disse: “Vamos fazer da Venezuela a maior ala de leitura e escrita do mundo”. Fiquei a perceber por que razão o ocidente alargado, com a Casa dos Brancos à cabeça, quer derrubar o Presidente Nicolás Maduro.
O Jornal de Angola hoje bate um recorde mundial. Na primeira página a manchete refere “Mais de 200 Médicos”. Uma janela fala em “Mais de 5 Mil Jovens Formados” e no colunão temos “Mais de 1500 Turistas”. Isto não é apenas negligência. É muita incompetência.
Na mesma página três títulos com “mais de” é motivo para despedimento com justa causa. Estou preocupado. Sei que na Direcção e na Redacção do jornal há profissionais competentes. Para a capa de hoje sair assim, eles podem estar entre os mortos ou os feridos durante rebelião. Estou mesmo muito preocupado.
Como hoje é domingo e foram todos à missa, claro que a administração da Empresa Edições Novembro não pagou o que me deve há dez anos. Vão pagar.
Cuidado com o AK Nunda! Sai paulada na cabeça e fogueiras! Depois digam que não vos avisei.
*Jornalista