Wilson Kiluange acusado de actos que terão precipitado a morte de Santos Bikuku
Wilson Kiluange acusado de actos que terão precipitado a morte de Santos Bikuku
bikuku herd

A morte do empresário angolano João Ernesto dos Santos Lino “Santos Bikuku”, a 8 de Outubro, em Lisboa, continua a incendiar uma das mais controversas crises familiares do país.

E no epicentro deste turbilhão está o seu filho mais velho, Wilson Kiluange dos Santos, apontado por vários familiares como tendo desempenhado um papel decisivo – e negligente – no desfecho trágico do patriarca.

Segundo fontes do Imparcial Press, Santos Bikuku lutava há anos contra problemas graves de saúde e era acompanhado por um médico espanhol que enviava relatórios periódicos à família, insistindo na necessidade de cuidados constantes e da participação de todos os filhos nas decisões clínicas.

Acontece que, poucas semanas antes de Santos Bikuku sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), Wilson dos Santos afastou o médico sem explicações plausíveis. Uma decisão que deixou o empresário vulnerável e sem assistência especializada que o mantinha estável.

Em Agosto de 2024, Santos Bikuku sofreu um AVC severo. Apesar de o médico ter tentado novamente intervir, as mesmas fontes afirmam que Wilson bloqueou qualquer tentativa de retomar o tratamento, assumindo controlo total sobre todas as decisões médicas.

Após o episódio, o empresário foi transferido para o Hospital do Mar, em Lisboa, unidade dirigida sobretudo à reabilitação física. Contudo, o estado debilitado em que se encontrava – quase sem fala e sem mobilidade –, precisando de cuidados neurológicos intensivos, que não recebeu, levantou suspeitas dentro da família sobre a adequação do internamento.

Durante todo este período, Wilson dos Santos impediu os seus irmãos e outros familiares de se aproximarem do paciente – que se encontrava em estado vegetativo –, ou de receberem informações actualizadas sobre a evolução clínica.

Paralelamente, o comportamento de Wilson gerou crescente tensão interna. Mensagens e áudios trocados em grupos familiares mostram momentos de hostilidade, insultos e ameaças dirigidas aos irmãos e a outras figuras próximas, criando um ambiente de conflito que se intensificou com o agravamento do estado do empresário.

Funcionários ligados ao empresário reforçam que a instabilidade familiar já era notada há vários meses e que episódios de intimidação eram recorrentes.

Ao mesmo tempo, começaram a circular denúncias de movimentações patrimoniais suspeitas enquanto Santos Bikuku permanecia incapacitado.

Conforme noticiou em primeira mão o Imparcial Press, Wilson dos Santos aproveitou o estado frágil em que se encontrava o patriarca e começou a vender os bens (móveis e imóveis) e a movimentar contas bancárias do de cujus, utilizando documentação alegadamente falsificada.

Um dos casos mais citados envolve a venda de um edifício inacabado no bairro Agostinho Neto a uma seguradora, Ango Seguros, por um valor superior a seis milhões de dólares, transacção que, segundo os familiares, não foi comunicada ao restante grupo de herdeiros.

Há igualmente relatos de movimentação de veículos, terrenos e activos empresariais, gerando receios de apropriação indevida do espólio.

Santos Bikuku faleceu na noite de 8 de Outubro de 2024, por volta das 21h. Mas os familiares afirmam que só receberam a informação no dia seguinte, horas depois de a notícia já circular na imprensa angolana e portuguesa.

O episódio aumentou a indignação de outros herdeiros e outros familiares, sobretudo porque alguns deles foram impedidos de acompanhar de perto o funeral de Santos Bikuku, impossibilitando-os de prestar a última homenagem.

O património deixado por Santos Bikuku, construído ao longo de três décadas e composto por fazendas agropecuárias, edifícios comerciais, projectos de construção civil, empresas de segurança e aviação, além de diversos activos dispersos entre Angola, Portugal e outros países, tornou-se agora o centro de um conflito sucessório complexo.

Juristas consultados pelo Imparcial Press referem que, caso se confirmem as denúncias sobre falsificação e movimentações não autorizadas, poderão estar em causa crimes de abuso de confiança, burla e violação do regime sucessório, sobretudo devido à existência de herdeiros menores, situação que obriga legalmente à supervisão da Procuradoria-Geral da República.

Santos Bikuku, que não deixou testamento, era pai de 27 filhos registados, sendo que fontes próximas afirmam que pelo menos sete deles são sobrinhos registados como filhos.

O empresário teve várias uniões ao longo da vida, mas, nos últimos anos, vivia com uma nova companheira, que o acompanhou até ao fim da vida e que também poderá ter papel relevante no processo de inventário.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido