
Cerca de cinco mil habitantes da sede comunal da Musserra, município do Nzeto, província do Zaire, consomem água não tratada retirada de uma cacimba existente na localidade há mais de 20 anos.
A inexistência de um sistema de abastecimento de água potável para a população local data há décadas, por alegada falta de rios nas proximidades da sede comunal, aliada ao baixo nível de lençol freático da circunscrição.
Banhada pelo oceano atlântico, a comuna da Musserra, dista a 54 quilómetros da vila piscatória do Nzeto e é considerada “porta de entrada e saída” para quem visita a província do Zaire, por terra, passando pela Estrada Nacional 100.
A escassez de água doce (só abunda água salgada do mar) para os habitantes da Musserra é recorrente, principalmente no período seco, onde a população chega de partilhar o único furo artesiano feito de forma rudimentar.
Na tentativa de ver resolvida essa problemática, o governo provincial do Zaire, havia lançado, há cerca de oito anos, um projecto de dessalinização (transformação de água salgada para água doce) com o intuito de instalar, na localidade, um sistema de abastecimento de água potável para os habitantes locais.
Esse projecto teve uma execução física na ordem dos 70 por cento, tendo sido abandonado meses depois, por razões desconhecidas, contou o soba adjunto da Musserra, Simão João Garcia, durante uma visita de constatação que o governador do Zaire, Adriano Mendes de Carvalho, efectuou na segunda-feira à localidade.
Para a autoridade tradicional, muitos equipamentos adquiridos para a implementação do aludido projecto de dessalinização foram saqueados por meliantes e outros acabaram por estragar devido ao tempo que ficaram sem funcionar.
“Seria um projecto muito ambicioso que deveria acabar com a gritante falta de água potável para os habitantes da Musserra”, referiu o soba.
De acordo com a fonte, a população chega de pernoitar em filas só para conseguir de obter água na única cacimba.
Para o cidadão Pinto Simão, responsável do poço, são imensas as dificuldades de acesso à água para o consumo domiciliar, devido ao baixo nível do lençol freático.
Contou que no período seco, o volume de água do referido furo reduz de forma considerável, provocando a escassez deste líquido na circunscrição.
“As vezes a população aguarda, dois a três dias até que o volume de água aumente. É uma situação muito constrangedora”, salientou, solicitando as entidades competentes para inverterem o quadro.
Governo provincial aponta soluções
Para o vice-governador do Zaire para o sector político, social e económico, Afonso Nzolameso, enquanto se aguarda por uma solução definitiva, serão abertos, numa primeira fase, mais dois furos de água na localidade.
O responsável integrou a comitiva do governador, Adriano Mendes de Carvalho, que se deslocou à Musserra para no terreno constatar a situação e encontrar soluções para se acabar com a carência de água potável na região.
O vice-governador mostrou-se indignado com as acções de vandalismo dos equipamentos destinados para a construção de um sistema de dessalinização na vila da Musserra.
A comuna da Musserra tem uma superfície territorial de 1.902 quilómetros quadrados. A pesca e a agricultura são as principais actividades da população.