Zaire: SIC esclarece duplo assassinato – Ema e João Rolando, agora descansem em paz!
Zaire: SIC esclarece duplo assassinato - Ema e João Rolando, agora descansem em paz!
Zairr

A justiça tarda, mas chega. O Serviço de Investigação Criminal (SIC), na província do Zaire, deteve no domingo, 26 de Fevereiro, um oficial superior deste órgão do Ministério do Interior, que responde pelo nome de Afonso Mbiavanga Nzuzi, destacado no município de Mbanza Kongo, e os seus cúmplices, por assassinato de João Francisco Rolando, de 40 anos, e a sua filha, Ema Pereira João Rolando, de apenas 9 anos.

Segundo as informações, Afonso Mbiavanga foi detido pelo SIC, às 18 horas de domingo, na casa do seu progenitor, situada em Mbanza Kongo.

Na mesma operação, O SIC deteve, no município do Nzeto, a ex-mulher do malogrado, Conceição João Pereira, que agora é a principal suspeita pela morte da própria filha [Ema] e, igualmente, conivente pela morte de o ex-marido. Além dos elementos já citados, foram detidos mais três pessoas.

A morte de Ema

A pequena Ema Rolando foi a primeira vítima de Afonso Mbiavanga Nzuzi, sob autorização da própria mãe, Conceição Pereira. Segundo os dados, o assassino – que usava a capa de oficial de investigação – com ajuda da amante, enforcou a pequena numa árvore, como mostra os sinais na imagem, em 2019, curiosamente, semanas depois de começar a namorar a mãe da vítima. Por quê?

A resposta é simples. A querida Ema era verdadeira. Não foi educada a mentir. Por isso, fazia questão de contar ao seu pai sobre os encontros amorosos que o seu algoz mantinha com a sua mãe, que ainda partilhava a cama com o seu pai.

Após o sucedido, João Rolando separou-se da mulher (Conceição João Pereira) e foi à procura da justiça para que a alma da pequena Ema descansasse em paz. Infelizmente, este caminho espinhoso e perigoso levou-o à morte no dia 21 de Janeiro do corrente ano.

Contudo, autoridades detiveram cinco pessoas por estarem directamente envolvidos na morte de Ema e por desvio de provas. Tratam-se de Conceição João Pereira, mãe da vítima e principal suspeita, do intendente Afonso Mbiavanga Nzuzi, padrasto da menor, Kavungu Nzuzi Júnior, antigo director geral do Hospital Municipal do Nzeto (irmão do oficial do SIC), Kilola José Filho e Augusto Janja, ambos seguranças da morgue do Hospital do Nzeto.

As operações que resultaram nas detenções dos acusados nos municípios de Mbanza Kongo, Soyo e Nzeto, mediante mandado, foram conduzidas pelo SIC/Zaire, em coordenação com os órgãos operativos Centrais do SIC e a Polícia Nacional na região.

De acordo com o director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa da Direcção Geral do SIC, superintendente-chefe de Investigação Criminal, Manuel Halaiwa, que se deslocou à província para esclarecer a referida morte, os acusados foram detidos por estarem envolvidos na prática dos crimes de homicídio qualificado em razão da qualidade da vítima, substracção ou desvio de processo, ou documentos probatórios e obstrução da justiça.

“Os cidadãos em causa foram detidos por estarem fortemente envolvidos no mediático caso da morte da menor de 9 anos de idade, que foi dada como morta pela progenitora e outros envolvidos, no dia 19 de Junho de 2019, como tendo sido vítima de suicídio por enforcamento”, esclareceu.

A morte de João Rolando

De acordo com dados, neste dia, João Francisco Rolando deslocou-se da cidade de Mbanza Kongo até ao município do Nzeto, onde reside a sua mãe, com a finalidade de reparar o electro-bomba que apresentava sérios problemas.

Mas devido a demora, quando eram 15 horas, a sua progenitora ligou insistentemente para o seu terminal telefónico, mas infelizmente não atendia. O longo silêncio de João Rolando começou a inquietar a sua mamã, pois não era normal este não atender o telefone. Sobretudo desde que perdeu a pequena Ema.

As chamadas continuaram até ao dia seguinte (22/01). Dada ausência, na manhã do mesmo dia, os seus familiares se deslocaram até ao piquete do SIC, em Mbanza Kongo, onde formularam a ocorrência.

É assim que a irmã do malogrado foi alertada por um segurança da biblioteca “Kimpa Vita”, da presença de um cadáver naquela zona.

“Tão logo a minha irmã se aproximou do corpo, reconheceu que era o meu irmão”, contou Kuluba Rolando, irmão mais velho do malogrado, sublinhando que os assassinos não levaram nenhum pertences da vítima. “Ele estava com a carta de condução, os dois multicaixas, dois telefones, certificados de habilitações literárias e 50 mil kwanzas, tudo ficou aí intacto”.

Os familiares levaram o cadáver até a morgue de Mbanza Kongo, exigindo que seja feito autópsia para se apurar as causas da morte de João Francisco Rolando. “Segundo o médico legista, o meu irmão foi agredido com pauladas na zona da testa e outra no lado esquerdo da cabeça”, revelou.

“O meu irmão apresentava sinais de marcações de botas no corpo, indicando que também foi pisado por várias vezes. Este detalhe nos leva a deduzir que o autor do crime só pode ser o efectivo do SIC, porque este mantém uma relação amorosa com a ex-mulher do meu irmão e havia sempre fricções entre eles”, acusou na altura.

O Imparcial Press divulgou o caso no dia 15 de Fevereiro – Zaire: Familiares acusam efectivo do SIC de assassinar pai e filha – O acusado namora com a ex-mulher do malogrado – , e no domingo as autoridades, após uma investigação aturada, chegaram até a Afonso Mbiavanga Nzuzi, alto oficial do SIC/Zaire, e os seus cúmplices que agora vão responder pelos crimes de: Homicídio qualificado em razão a qualidade da vítima, subtração/desvio de processo ou documento probatório, obstrução à justiça.

No decorrer da investigação, o SIC chegou a conclusão de que a mãe da pequena Ema, ex-mulher de João Rolando, também participou do assassinato tanto da filha como do ex-marido. Por este motivo, também foi detida e agora vai responder pelo crime de homicídio qualificado em razão da qualidade da vítima.

Sabe-se que aquando do assassinato de Ema, por enforcamento, o assassino (investigador do SIC) tentou apagar as pistas do crime, simulando que a malograda terá sido vítima de violação sexualmente por desconhecidos.

Assim sendo, o assassino, na qualidade de investigador criminal, levou o corpo da vítima até ao hospital municipal do Nzeto onde, curiosamente, o seu irmão (Kavungu Nzuzi Júnior) é director. E este último, acredita-se ter introduzido, com ajuda de uma seringa, espermatozóide no recto da pequena Ema, no sentido de despistar o crime em favor do seu irmão, Afonso Mbiavanga Nzuzi.

“Importa frisar que estes estão implicados apenas no caso Ema, sendo que no caso do assassinato de João Rolando, Afonso Mbiavanga Nzuzi e Conceição João Pereira também são suspeitos, pois a ideia sempre foi calar a verdade sobre o caso Ema!”, explicou a fonte.

Neste momento, os responsáveis do duplo homicídio se encontram detidos no município de Mbanza Kongo, a fim de serem apresentados pelo Ministério Público. “Espera-se que a justiça do Zaire cumpra o seu papel. Pois, no caso Ema já tivemos um episódio de detenção que depois deu em soltura”, concluiu a fonte.

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