
A recente recomendação do Bureau Político do MPLA para dividir a província de Luanda em duas partes é uma medida que só pode ser descrita como lunática. Esta proposta, discutida na 10ª reunião extraordinária do BP do MPLA, liderada pelo presidente João Lourenço, sugere uma falta de compreensão das realidades e necessidades dos cidadãos que defendem a realização das autarquias locais.
Vale realçar que, em setembro de 2011, durante uma reforma administrativa proposta pela Assembleia da República, a província de Luanda foi ampliada com a adição dos municípios de Icolo e Bengo e Quissama, desanexados da província do Bengo. Essa medida foi motivada pela necessidade de dar à capital do país mais espaço territorial, devido ao seu então pequeno tamanho.
Luanda, sendo a capital e a província mais populosa de Angola, com uma população estimada atualmente em quase 10 milhões de habitantes e uma área territorial de 18.826 km², já enfrenta desafios significativos em termos de gestão, infraestrutura e saneamento básico.
Dividir Luanda novamente, apenas uma década após a última reorganização, revela uma desconexão preocupante entre o MPLA e as necessidades reais da população.
A lógica de que criar duas províncias pode resolver problemas administrativos ou melhorar a qualidade de vida dos habitantes é falha. Na verdade, tal medida poderia agravar as dificuldades existentes, como a ineficiência na prestação de serviços públicos e a desigualdade social. Aliás, confundir ou comparar a cidade capital com as províncias do Moxico e Cuando Cubango é absurdamente lunática.
Uma divisão administrativa deveria ser motivada por um entendimento profundo das dinâmicas locais e uma estratégia de desenvolvimento sustentável. Em vez disso, parece que o MPLA está mais interessado em manobras políticas que beneficiam o partido, em detrimento das necessidades reais dos cidadãos, fruto dos resultados das últimas eleições gerais, em que perdeu Luanda para a UNITA.
A proposta de dividir Luanda pode ser vista como uma tentativa de diluir o poder das áreas urbanas, onde o descontentamento com o governo é mais vocal, e redistribuir esse poder em regiões mais controláveis.
Além disso, a história recente de reformas administrativas em Angola não é animadora. As reformas frequentemente resultam em burocracias adicionais, aumento dos custos administrativos e confusão entre a população.
A experiência passada com a desanexação de municípios do Bengo para Luanda mostrou que a criação de novas unidades administrativas não necessariamente traz melhorias significativas em termos de governança ou desenvolvimento.
O MPLA precisa reflectir sobre o impacto de suas propostas de reorganização administrativa não apenas em termos políticos, mas também sociais e económicos. Dividir uma província densamente povoada como Luanda sem um plano robusto de infra-estrutura, serviços públicos e desenvolvimento urbano pode resultar em consequências desastrosas. A medida poderia agravar a desigualdade, dificultar o acesso a serviços essenciais e aumentar a frustração entre os cidadãos.
A proposta de divisão de Luanda em duas províncias é, portanto, uma medida que deve ser repensada. Em vez de soluções fragmentadas e potencialmente caóticas, o MPLA deveria concentrar seus esforços em políticas que promovam o desenvolvimento sustentável, a inclusão social e a eficiência administrativa.
Portanto, a recomendação do Bureau Político do MPLA é uma alucinação política que subestima as reais necessidades e desafios da província. O partido deve abandonar essas propostas fragmentadas e focar em estratégias de desenvolvimento que beneficiem todos os angolanos, promovendo uma governança justa, eficiente e sustentável.