Angola entre os piores da CPLP em liberdade de imprensa – Governo contesta relatório da RSF
Angola entre os piores da CPLP em liberdade de imprensa - Governo contesta relatório da RSF
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Angola surge como o país com pior classificação entre os membros da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) no mais recente Índice de Liberdade de Imprensa divulgado pela Repórteres Sem Fronteiras, ocupando a 109.ª posição, num contexto global descrito como o mais crítico dos últimos 25 anos.

Segundo a organização, a queda de Angola no ranking – menos nove posições face ao ano anterior – reflecte um ambiente em que “a censura e o controlo da informação ainda pesam muito sobre os jornalistas”, apontando limitações estruturais ao exercício da actividade jornalística no país.

O desempenho angolano contrasta com a tendência geral observada entre os países lusófonos, onde a maioria registou melhorias.

Portugal mantém-se entre os mais bem classificados, na 10.ª posição, enquanto Cabo Verde ocupa o 40.º lugar, apesar de uma descida. Timor-Leste subiu para a 30.ª posição, Brasil melhorou para 52.º e Moçambique aparece no 99.º lugar.

Ainda assim, a Repórteres Sem Fronteiras alerta que, mesmo em países com melhorias, persistem pressões políticas, controlo da informação e episódios de intimidação contra jornalistas, com destaque para Guiné-Bissau e Guiné Equatorial.

No plano africano, África do Sul lidera a classificação continental, ocupando o 21.º lugar, enquanto Eritreia permanece na última posição global (180.º). A nível mundial, a Noruega continua no topo do ranking, sendo o único país com avaliação considerada “excelente”.

Governo rejeita conclusões

Em reacção, o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social contestou o relatório, considerando que o documento apresenta “irregularidades, omissões e dados que não condizem com a realidade angolana”.

O director nacional de Informação e Comunicação Institucional, João Demba, afirmou que, embora os critérios utilizados pela RSF sejam reconhecidos, a análise “levanta sérias dúvidas quanto à consistência dos dados”, apontando para informações que considera incompletas ou desactualizadas.

Entre os exemplos referidos, destacou a caracterização do panorama radiofónico nacional, que, segundo o relatório, identifica apenas duas rádios independentes. O responsável contrapõe que existem várias outras estações privadas em funcionamento no país.

Críticas persistem

Apesar da contestação oficial, analistas consideram que a posição de Angola no índice reflecte problemas recorrentes no sector, incluindo limitações no acesso à informação pública, concentração de meios de comunicação e alegadas pressões sobre jornalistas.

A Repórteres Sem Fronteiras sublinha ainda que cerca de 75% dos países avaliados apresentam um ambiente “problemático” ou pior para o exercício do jornalismo, apontando a criminalização da actividade e a degradação das condições de trabalho como tendências globais.

Num cenário em que outros países da CPLP registam progressos, a posição de Angola reforça o debate interno sobre o estado da liberdade de imprensa e os desafios estruturais do sector no país.

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