
O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, contratou uma empresa britânica, a “Foster+Partners”, para elaborar o Plano Diretor da futura província de Angola, que se chamará província do Icolo e Bengo. Na sua perspectiva, servirá de núcleo regional para a África Central, tendo em conta o novo aeroporto internacional.
Apesar de ter orientado há poucos dias a bancada parlamentar do MPLA, que tenciona criar mais uma nova província em Luanda, segundo o Club-K, o Chefe do Governo angolano começou a idealizar formalmente este projecto desde Agosto de 2023.
Para este ano, Lourenço decidiu transformar esta área de Luanda, a “Cidade Aeroportuária do Icolo e Bengo”, para à categoria de província, de modo a ser lembrado um dia como o Presidente que “deixou uma província”.
Em Agosto do ano passado, o Presidente da República criou uma Comissão Multissectorial para o Desenvolvimento da referida Cidade Aeroportuária do Icolo e Bengo, através do Despacho Presidencial nº 202/23, de 25 de Agosto. A comissão, que é coordenada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, tem a missão de elaborar estudos, planos e projectos para a implementação da Cidade Aeroportuária, bem como promover a captação de investimentos para o projecto.
O pensamento identificado em João Lourenço é de que a Cidade Aeroportuária (futura província do Icolo e Bengo) tem o potencial de se tornar um importante pólo de desenvolvimento económico, atraindo investimentos em diversos sectores, como indústria, comércio, turismo e logística.
O ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, que é o coordenador adjunto da referida comissão, foi despachado na semana passada a Londres, onde, em representação do governo de Angola, assinou na quarta-feira, dia 19, o contrato que habilita a empresa britânica ‘Foster + Partners’ a elaborar o Plano Diretor para a nova ‘Aerotropolis de Luanda’.
Gerard Evenden, diretor da ‘Foster + Partners’, citado em comunicado distribuído pelo Ministério dos transportes, afirma que “Estamos muito satisfeitos por fazer parte deste projecto transformador para Angola, o qual irá criar uma comunidade nova e próspera em torno do aeroporto existente. O nosso Plano Director definirá uma abordagem sustentável e de longo prazo que antecipa o crescimento futuro do país.”
Localizada a aproximadamente 50 quilómetros para o interior a partir do centro de Luanda, num terreno de 13 mil hectares, a nova cidade aeroportuária da futura província do Icolo e Bengo irá rodear o recentemente concluído Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto.
Este projecto de utilização mista incluirá comércio, habitação e hotelaria, bem como serviços médicos, centros de formação, edifícios culturais e educativos, entre outras tipologias. A tecnologia e as energias renováveis serão as forças motrizes do Plano Director.
O valor do contrato é desconhecido. Sabe-se apenas que este projecto de construção de cidade aeroportuária foi inspirado em outro deixado por José Eduardo dos Santos, cuja empresa, que já havia apresentado um Plano Director Geral Metropolitano de Luanda, era conotada a Isabel dos Santos.
De acordo com apurações, a decisão de João Lourenço em designar a futura cidade aeroportuária como província de Icolo e Bengo é igualmente vista como uma medida encontrada para concentrar no governo central os projetos de elaboração desta zona, evitando que Icolo e Bengo venha a se constituir em autarquias e os projectos caiam nas mãos do futuro autarca da zona.
Em Agosto de 2021, a empresa britânica “Foster + Partners”, contratada pelo governo angolano, já havia elaborado um plano director metropolitano para Atlanta, nos Estados Unidos. O projecto, chamado Centennial Yards, com área de 20 hectares, foi orçado em 5 biliões de dólares.