
Recentemente, a governadora provincial do Cunene, Gerdina Didalelwa, reafirmou a determinação do seu partido em combater a corrupção com responsabilidade, firmeza e, segundo alguns, “a sagacidade de um político experiente na arte da retórica”.
Durante o encerramento de um seminário sobre “ética e integridade na função pública”, Didalelwa destacou o compromisso do MPLA em inculcar valores éticos nos seus quadros e dirigentes. No entanto, enquanto alguns aplaudem este esforço, outros não conseguem deixar de franzir a testa ao verem que “na prática, as coisas parecem mais difíceis do que um discurso bem ensaiado”.
Um exemplo claro desta dualidade foi recentemente apontado pelo activista Lito Deputado. Segundo ele, a governadora parece “ter um talento peculiar para atrair controvérsias, fazendo jus ao ditado de que ‘quem não é falado, não é lembrado'”.
Lito Deputado levantou preocupações sérias sobre o processo de selecção para um concurso no governo provincial e suas administrações, insinuando que “há mais mistério nesses critérios do que num episódio de novela policial”.
Não se sabe ao certo se foi maldade ou apenas uma coincidência cósmica, mas a maioria dos candidatos foi excluída por motivos tão inusitados quanto a redação desajeitada de requerimentos ou a obrigatoriedade de adquirir folhas de 25 linhas em livrarias específicas, “num bairro cujo nome soa mais como um teste de pronúncia do que um local real”.
Essas práticas levantam questões sobre a transparência do processo, com alguns candidatos lamentando que “até mesmo o nosso mais sincero esforço de 25 linhas não foi suficiente para evitar o veto”.
A governadora, enquanto figura de autoridade e, supostamente, “uma líder que conhece bem as dificuldades da base”, deveria estar mais atenta às necessidades e aspirações dos jovens.
A escolha de realizar provas de ingresso aos sábados, “numa clara demonstração de que o fim de semana é também para as alegrias do serviço público”, acrescenta um tom irônico a uma situação já complexa.
“Por que não facilitar um pouco as coisas, tornando este processo menos complicado do que as regras de um jogo de futebol?”, questiona-se ironicamente.
Portanto, a luta contra a corrupção não pode ser vencida apenas com discursos ensaiados e “um ou outro gesto dramático para as câmaras”. Exige-se acções concretas e um compromisso genuíno com a mudança.
A governadora Gerdina Didalelwa tem agora a oportunidade de mostrar que a sua determinação em combater a corrupção vai além da retórica, adotando medidas que realmente promovam a justiça e a igualdade de oportunidades para todos.
Os jovens do Cunene, e de Angola em geral, merecem um futuro onde os seus sonhos não sejam amputados por procedimentos administrativos tão complicados quanto um labirinto.