
Em 2017, João Lourenço assumiu a Presidência de Angola, prometendo uma nova era de mudança e transparência. A população angolana via com bons olhos o novo líder, que se mostrava acessível e próximo do povo. Andava tranquilamente pelas ruas da capital, parava nos semáforos e fazia compras acompanhado da esposa, gestos que o tornaram querido entre os cidadãos.
João Lourenço também abriu as portas da Presidência da República a figuras da sociedade civil, tentando conquistar a simpatia popular. No entanto, o período entre 2017 e 2018, que parecia de proximidade e abertura, logo revelou-se um cenário calculado para obter apoio popular.
Em 2019, João Lourenço consolidou o seu poder ao tornar-se Presidente do MPLA. A partir deste momento, o panorama mudou drasticamente para os angolanos. Cercado de figuras controversas como Fernando Garcia Miala na secreta, Eugénio Laborinho no Ministério do Interior e Francisco Furtado na Casa Militar, João Lourenço iniciou um período marcado por repressão e autoritarismo.
Quando a UNITA convocou o congresso para substituir Isaías Samakuva por Adalberto Costa Júnior, João Lourenço e os seus aliados elaboraram estratégias para combater até à exaustão Adalberto Costa Júnior. Apesar da popularidade inicial, a falta de transparência na sua ascensão ao poder começou a pesar sobre a sua imagem.
Em 2020, o regime de João Lourenço deixou evidente o seu estado de terror: mortes de cidadãos, detenções arbitrárias, julgamentos sumários, raptos e perseguições tornaram-se rotina. A sociedade civil, que outrora florescia, foi silenciada com promessas de cargos, casas e carros.
Hoje, João Lourenço é amplamente detestado pelos angolanos, que clamam pela sua saída imediata. Os resultados eleitorais de 2022 mostraram um crescimento significativo da UNITA, especialmente nas áreas mais afectadas pela pobreza e sofrimento.
Em suas tentativas de escapar do crescente descontentamento, João Lourenço intensificou a segurança nas ruas de Luanda, complicando a vida dos cidadãos.
A trajetória de João Lourenço, de um líder promissor a um governante temido, reflete o ditado de que o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente. O seu governo, cercado de insegurança e autoritarismo, permanece um capítulo sombrio na história recente de Angola.
*Activista