João Pinto preocupado com a limitação de recursos no combate à corrupção
João Pinto preocupado com a limitação de recursos no combate à corrupção
Joao Pinto

O inspector geral da Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE) manifestou ontem, segunda-feira, 15, em Cabinda, a sua frustração com a escassez de recursos destinados ao combate à corrupção, uma prioridade supostamente estabelecida em 2017 pelo Presidente da República, João Lourenço.

João Manuel Francisco “João Pinto”, que falava aos órgãos de comunicação social à margem de um encontro de cortesia com as autoridades governamentais locais, na sede do governo provincial, destacou a situação como sendo extremamente preocupante.

“Com recursos escassos, vamos gerir o que temos, priorizando sempre o que é mais importante”, declarou, sugerindo que a falta de apoio financeiro está a minar os esforços anticorrupção.

Adicionalmente, o inspector geral da IGAE destacou que o volume de falsas denúncias recebidas diariamente pela instituição é alarmante, indicando que mais de 40 por cento das denúncias são feitas por indivíduos anónimos e carecem de provas materiais consistentes.

“São denúncias maliciosas e caluniosas, sem identificação dos denunciantes e sem documentos comprobatórios”, revelou João Pinto, criticando a cultura de denúncias infundadas que atrapalham o trabalho da IGAE e desviam recursos valiosos.

O dirigente informou que as denúncias verídicas têm sido tratadas com a devida confidencialidade, respeitando o princípio da presunção de inocência. “Se um cidadão se deparar com um acto abusivo ou uma violação dos seus direitos na administração pública, deve denunciar, mas sem desrespeitar os princípios éticos”, apelou, talvez sugerindo que muitos não o fazem corretamente.

Em Cabinda, João Pinto conduz nesta terça-feira um seminário sobre “Ética e Deontologia na Administração Pública“, dirigido a todos os gestores das instituições que servem os cidadãos na província.

“Não se melhora uma sociedade sem consciência do que é certo ou errado”, enfatizou João Pinto, lembrando, em seguida, casos históricos de corrupção envolvendo gestores públicos que causaram grandes prejuízos aos cofres do Estado. As suas palavras parecem sublinhar que, apesar dos discursos e promessas, pouco foi feito para resolver efectivamente o problema.

O Inspetor-Geral da Administração do Estado concluiu que tais actos ocorreram porque, muitas vezes, a necessidade de moralizar a sociedade não foi acompanhada pela consciência sobre o que é certo e errado, uma crítica velada à falta de integridade entre alguns gestores públicos.

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